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Cardilium

Cardilium

Palavras por ver o sol um dia XIV

O rosto enrugado pela dureza do frio esbate-se na sombra do seu corpo ao passar. A morte esconde-se diariamente e o olhar vigor, é onde deposita os seus olhos. Habituou-se a ver sem olhar. As sete horas nocturnas de que são feitos os seus dias, são a prisão que lhe prometeram em nome da liberdade. As encomendas, feitas numa surdina temerosa, seguem sem rota o roteiro normal do silêncio. A cama aquecida espera-o sem perguntas. Foi contrabandista. Contrabandeava sonhos. Sonhos de uma vida melhor.

Contrabandista: profissão improfícua da zona raiana de um Portugal quarentão de pseudo desenvolvido e liberdade.

 

… De dentro da alma da alma geme humana uma nação e, na desordem dos sentidos fico-me. Entristecido voo sem horizonte onde pousar. Na regenerada sequência balouço-me autista voltado para os declives em que me alberguei. Ensurdeço das palavras descarregadas e, num semblante inútil de choro, sorrio ao rio que me lava a saudade de pranto, já nem as tuas mãos me seguram, já nem o teu peito me cura.

 

Não me ofereças mais palavras desmentidas de nós …”