Não existe nada a fazer com o amor
Não há forma de pensar o amor. De representar o amor. De maltratar o amor. De cuidar do amor. De entender o amor. De plagiar o amor. De inventar o amor. De idealizar o amor. De “terapia_zar” o amor. De “psiquiatra_r” o amor. De matar ou ressuscitar o amor. Não existe nada a fazer com o amor.
Não há forma de pensar o amor – seria retirar a espontaneidade e a loucura que o faz tão impensado, irracional, desejado e desentendível.
Não há forma de representar o amor – não há forma, texto, improvisação, criatividade, teatralidade, seria estar refém da possibilidade de apresentar um sentir que nos faz refém de nós próprios. É a demonstração da nossa pequenez.
Não há forma de maltratar o amor – quando a tentativa se faz, já o amor se esquivou e deixou tudo o que os amores não sustêm, o desconhecimento do próprio amor.
Não há forma de cuidar do amor – impossível, trata-se a ele próprio.
Não há forma de entender o amor – seria retirar-lhe vida na perda de tempo do seu entendimento. O amor não é para ser entendido.
Não há forma de plagiar o amor – todo é diferente do anterior, do próximo, irrepetível, diferente de todos os outros amores, de todas as pessoas do mundo.
Não há forma de inventar o amor – não se inventam furacões, tempestades, terramotos, tsunamis e - amor-
Não há forma de idealizar o amor – o amor de tanto imaginar só se pode abraçar ao amor.
Não há forma de “terapia_zar” o amor - não há terapia que possa deixar com que o amor se relativize no amor, divã que possa suster ou acelerar o amor, o amor não tem terapia ou formas terapêuticas que sejam amor.
Não há forma de “psiquiatra_r” o amor – o amor não se provoca com remédios ou desenvolvimentos mentais de redução do amor, é tão livre que só é bom se: - se apiedar -
Não há forma de matar ou ressuscitar o amor – o amor tem vida própria. Nasce sem descuido, morre com cuidado.
Não existe nada a fazer com o amor.