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Cardilium

Cardilium

escrevinhando

Escrevo para separar o sentir, e escrevo para aproximar o sentir.
Escrevo para não sentir o comum dos sentires, e escrevo para sentir uma incomum sensibilidade onde não existem luzes coloridas, ou barrocos bonecos carregados de uma fardo sinalizado de religião e profanado sentido.


Escrevo desnudado de coração e adornado de tripas.
Escrevo a escravidão da direcção induzida e a liberdade solta do pensamento.
Escrevo porque não creio, e creio no que escrevo por ser o resultado do sinto.
Não escrevo natais, nem carnavais, nem festas pascais.
Escrevo miséria e liberdade, tolerância e presídio, devoção e afecto e, escrevo das entranhas fiéis da futilidade vigente.
 

Escrevo passado na primeira pessoa do presente, e escrevo sonho na forma condicional da fantasia.
Escrevo porque me alivia a mágoa e me seduz o alegramento.
Escrevo incólume e inteiro das partes de que sou construído.
Escrevo porque me alimento de entendimento e me chicoteio da obtusidade.
 

Escrevo somente porque as letras me bailam nos sentidos e atropelam as passadas com palavras.
Escrevo para caminhar sem barreiras e clarear nos meus olhos, pensamentos.
Escrevo porque sou escrita redigida de vida.
 

Felizmente já não há natal, mas há luar e noites brancas de frio.
Encantadas.