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Cardilium

Cardilium

A melancolia

“… A melancolia?

 

Essa triste alegria que me consola quando caminho entre os troncos grossos das árvores sobreviventes a todas estas noites de agonia.

 

Essa tristeza cálida e pura, que não me fere mais do que cada amanhecer que não desejo que seja novamente dia, mais um dia, outro dia.  

 

Toda essa gente que arranja nomes, questiona o desconhecimento, inventa soluções, adjectivos, teses psicomaníacas e ignorantes, somente pela necessidade ou desejo de uma proximidade que nunca poderá ser presença, essa gente que somatiza e acusa as palavras com que adornas o que sentes.

 

Esse escritor que se embriaga e aliena com essa sensibilidade maior do que o sentimento, que não se importa que não haja quem corte o vento e lhe leve o ar fresco da demanda que deseja.  

 

Que não se importa que não haja quem o veja.

 

Que se sustenta e compõe, com o que vê e sente.

 

A melancolia, essa triste alegria de alegoria permanente, perfilhada na verdade do pseudónimo abençoado, que me tem salvo todos estes anos, do bairro que já não existe …”