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Cardilium

Cardilium

hibridamente

 

Sinto-me inquietantemente fértil. Entendo-me como um ser híbrido. Híbrido entre a vida e a morte, o querer e o desquerer, o prosaico e o eclético, o simplista e o complicado, o verão e o Inverno, o mar e praia, as estrelas e a lua. Não existe meia estação, com aquelas blusas suaves que assentam na pele, como um beijo suave e desejado. Tudo é fogo, guerra e luta. Sinto-me de olhos vazios prostrados numa imensa planície cheia de vida, mas desiludida pelos Homens.
 
Sinto-me hibridamente homem na minha pele e mulher na pele da mulher que gerei e amo. Arquitecto sonhos, pinto fantasias e jogo com as ondas do mar uma igualdade inexistente. Se nem as ondas são iguais e todas têm sal, como podem as minhas expectativas serem esperança?
 
Mordo-me os lábios e deixo-me marejar dos olhos. Sinto o corpo pisado e a areia que recebe as ondas, encarnada de vermelho esquerdista. Sou híbrido, sou vida e sou morte. Em miúdo ia para a escola pelos carreiros enfeitados de silvados que prendiam amoras, amoras da cor dos teus olhos. Hoje existem bairros construídos de ausência, antes carreiros.
 
Estou chanfrado, alguma coisa dispara dentro de mim. Em jeito de conclusão excluo-me da moral, e da ética rançosa dos faladores de palavras inatendíveis de recados subornados de miséria humana escolhida. Excluo-me, partirei para uma casa de madeira no vale, na serra, híbrido como sempre, num mar guardado de segredos do mundo inteiro.

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