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Cardilium

Cardilium

Des-graça

 

Gosto de trabalhar naquilo que não trabalho. Devia ter a coragem de comprar a minha auto caravana e ir. Por aqui a coisa esta feita. Já me chega de bom dia, “faz favor de sentar”, e do “obrigado sempre ao seu dispor”. Chega porra. Não tem a ver comigo, muito menos aquele engalanado fato e gravata que mais me faz sentir um vendedor de religião de porta a porta. Faz-me confusão receber ordens de um idiota com um título académico duvidoso e inferior ao que detenho. Vale o que vale. Sinto-me arrogante em dizê-lo aqui escrito e aberto ao mundo, mas a dor de pescoço que adquiro numa sinalética de aprovação ou negação, justificam-no. Ouvir um tipo que se adora ouvir a dizer baboseiras e dizer constantemente, sim senhor e pensar de mim para mim “és cá um urso”, e dizer não Sr. engenheiro e pensar igualmente “ranhoso”, faz me mal. Não engulo assertividade com facilidade, fico com azia e diarreia, mas no mesmo minuto penso que tem que ser, porque tenho uma filha para dar de comer, vestir, pagar renda de casa e propinas, ainda no mesmo segundo penso, é uma fase. Entretanto ele falou, falou, falou e eu nem ouvi, mas acenei sempre a cabeça durante o discurso alucinado de des-graça. Este hífen entre des e graça é intencional. É o que separa o nome do sujeito, da negação com que o oiço, e do arrolamento que lhe tiro. Decididamente não lhe reconheço capacidade intelectual para me ordenar o que quer que seja. Vá lá que peça, mas peça com jeitinho e lubrificante para não me magoar. Totó, idiota, presunçoso........

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