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Cardilium

Cardilium

A ver se passa ou se me passo

 

Pesa-me a cabeça nos ombros. Sinto os meus braços separados do corpo e as pernas presas. A minha cabeça é desobedecida pelo meu corpo. Sinto pelo corpo fora pontadas crispadas na pele como se os ossos se quisessem descolar e romper pele afora. O sono espreita longe mas não desagua em mim. Os músculos enrijecidos, sucumbem ao desencontro com as dores. Os dedos engrossados e disfuncionais encolerizam-se com a alma, o adiamento de um novo dia normalizado teima em vir. Aguento. Enquanto isso, os afazeres normais são pronunciados por mensagens de esperança que são o único alento possível. As posições esgotam-se com as madrugadas e os finais de noite, tanto quanto os inícios dos dias. Crispa-se o olhar em paisagens iguais percorridas por passadas desiguais. Não rezo por falta de fé. Espero, construindo pedaços de paciência retemperados, não sei que parte de mim mesmo os engendra, mas faço minutos, horas e semanas de e com o tempo. Sei simplesmente ter uma aliviante parte tentada de uma página de um livro que não avança, que é relida noite após noite. A matéria quântica transformar-se-á na criação de energia em matéria. Aguardo a audácia dos fragmentos iluminados e brilhantes viventes em mim. Enquanto isso, foda-se,  uma hérnia discal paralisa-me.

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