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Cardilium

Cardilium

Santa Marta

 

Ao nosso abraço juntou-se o vento alvoroçado como uma orquestra, abençoou-nos e, rompeu madrugada adentro, percorreu-nos num arrepio continuado até agora, tarde já posta.

 

Os meus olhos inundados de ti misturam-se com as lágrimas presas da felicidade que me doas. Quase prefiro o deserto que adoptei. Por lá não espero nada e as minhas noites são solidão adaptada. Aqui sangra o medo deste amor, que, por ser amor arde como fogo e contenta o descontentamento.

 

Quero a alquimia do mar nos teus beijos e a tremura do teu corpo no meu.

Apiedado, nu, vulnerável e entregue, espero que a revolta mantenha a força, a decisão e confiança.

Continuaremos juntos na benção do vento ao alto da santa Marta, onde as minhas lágrimas caladas são amor.

Não é felicidade. É a fusão das almas, no espírito, na carne, na descoberta conjunta das nossas mãos dadas, no querer do caminho.