Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cardilium

Cardilium

Timoneiro III

 

As viagens?

Faço-as, aquando a vontade da possibilidade me permite. Não as faço quando devo ou quero fazer. Há um momento para viajar. O momento certo. Viaja-se quando a alma nos leva do pensamento. Cega-nos um caminho que conhecemos mesmo sem o frequentar. Viajo quieto, acordado, agitado pelos sentimentos mais mundanos, que transformo em epopeias. Esqueço-me das caminhadas para alem das ilusões, esqueço-me de me esquecer dos pronomes pessoais e possessivos. Esqueço-me de lembrar o meu Deus selvagem e secreto.

Leio livros. O conhecimento não pode ser pago. Nunca pode ser pago. A barba por fazer retira o respeito. Os soslaios de olhares acumulam-se aos montes. Agudizam a minha antipatia pelo mundo. Procuro um lápis mágico para escrever um livro, cujo preço vale cada dia que me permito viver, na plenitude de cada momento.

Um dia alguém me sussurrou ao ouvido que os outros não eram mais do que simples espelhos, instrumentos do meu próprio confronto pessoal, do meu bem e do meu mal. Duvidei

Queria matar este sentimento de solidão. Queria confirmar apenas a minha suspeita que sou apenas o que vejo, quando olho para o espelho. Os outros não são mais do que o meu reflexo. Os meses passam, os anos passam. Esse sentimento de alienação, de desilusão, de conquistas esgotadas e transformadas num capitulo. Deixei tantos pedaços de mim. Inteiro, verdadeiro. Fiquei tantas vezes nu enquanto gritava em silêncio. Afundei-me na lama da minha miséria conquistada em lutas desenfreadas. Gostei. Gostei porque acima da lama imunda vi erguer-se um sol. Trocamos saberes e sentires. Já não procuro o que não tenho. Procuro o que de mais há. Os outros tornam-se mais do que isso, por isso mesmo, quando são mais do que apenas outros.Fico feliz pelo alaranjado Setembro.