Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cardilium

Cardilium

Á espera do timoneiro II

 

O fumo denso esfaqueou, o nevoeiro oprimido. Não se fundiu, porque não ensaiou uma valsa enquanto se despia das suas semelhanças. Ambos enganaram a luz, única claridade de um momento ímpar. Recusaram-se a viver por um só momento que fosse. Ainda cheira à erva e palha amontoada e molhada. Corre um riacho que teima em chegar depressa ao seu destino. Ainda estendem os lençóis brancos a cheirar a sabão. De madrugada não se vê ninguém, mas sente-se o coração. Não penso. Esvazio-me de tudo. As memórias são imagens e sentimentos. Posso colori-los de cores e momentos. Nunca serei capaz de assassinar a leviandade do primeiro olhar. Sou único, vejo para além do que os meus olhos alcançam. A minha rua está dentro de mim. Desenho um quadro cheio de palavras, como se de uma verdadeira orquestra se tratasse. Incompreensível este Amor feito de nada. Torno o meu espelho mágico, do qual fujo todas as manhãs. Somente as palavras brotam do pensamento simples, honesto, e impraticável. O contexto foge ás regras. As atitudes são contrárias á vontade. A vontade é presa ao pensamento. O pensamento não é preso a nada porque é livre. Vivo assim num redondo vocábulo, espartilhado pela anti-vontade, do querer nada querer. E assim, resta-me o aqui e o agora, a grandiosidade do meu grito pelo ar que respiro. Sinto energia gerar-me desassossego. Sinto harmonia em estar desassossegado

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.