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Cardilium

Cardilium

Natal ?

 

Esta esquizofrenia colectiva consumista que é o Natal não me seduz. Não me seduz os sorrisos nem as citações. A publicidade “apaneleirada” e as luzinhas. As criancinhas ficam de ar terno e os velhinhos vulneráveis. A crise passa a ser uma retórica de consequências inconsequentes. O Rendeiro e o Madoff, a Felgueiras e o Isaltino, o Oliveira e Costa e o Jardim Gonçalves, o Jorge Ritto e o Carlos Cruz & CA, e mais não sei quantos gajos, são os verdadeiros “Pais Natais” deste País de indígenas. Povo de acostumados e brandos costumes. Ser o ultimo da Europa na Saúde, ou o numero um na taxa de desemprego não interessa nada, porque o que nos entra pela casa adentro ás oito da noite, é que o Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo, mesmo que o povo seja miserável, e não tenha dinheiro nem para a merda do bacalhau consoado, para os medicamentos ou acesso ao ensino. E vêm-me falar de Natal. De princípios solidários, de entreajuda, de espiritualidade, quando uma “criança” de dezasseis anos esfaqueia outra dentro de uma escola, e se acha normal o “ajuste de contas”. Não me enfiem mais Natal pelos olhos dentro. Deixem-me da mão, deixem-me em paz mais á merda do Natal. O natal sou eu, a minha filha, os meus Pais e aqueles amigos de todos os dias, menos do dia de Natal.