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Cardilium

Cardilium

Libertino

 

Libertino parto pelo trilho não recomendado. Dou por mim em bairros feitos de nada, onde as crianças se escondem para brincar. Vivo. Sobrevivo. Continuo o caminho que ninguém faz. Vivo temperaturas amenas. Vejo o pôr-do-sol e da lua. Vivo uma lua-de-mel ardente. Corro pelos prados verdes, verdejantes de fantasia e malmequeres. Mudo de País, de cidade, de mulher, de conceito e de sonho. Carrego-me sempre. Carreguei-me sempre, suporto-me. Renasço e volto a correr, a viajar. Projecto e sonho. Faço uma fogueira no Meco. Adormeço com o mar á frente. As estrelas dançam no céu. O timbre afinado e cadente das vagas está de encontro á praia. O mar esta salpicado de luz. Adivinho os pescadores. A maré está-se a levantar. Levanto-me com ela e vou. Vou mais para baixo, onde as gaivotas escolhem ser felizes. Onde as rochas gemem agua. Onde a terra castanho fértil, se junta aos azuis que pincelam a esperança. Onde as mulheres vestem de preto e usam lenços á cabeça. Onde existem samarras, e as casas habitam os brancos. Vou mais para baixo, rasgando a serra que me leva daqui. Onde os arbustos rudes me roubam a saudade. Onde deposito a esperança, caminhando pelo sonho de caminhar por ali. Soberbo, o que sinto naquele espaço que não é meu, mas que habito. Só quero uns livros, uma viola, o meu amigo e tu. Quero ser filho de um deus secreto e selvagem. Selvagem como o sudoeste que invento. Secreto como um anónimo sedutor, como uma serpente aliciada pelo som de uma flauta insana!....