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Cardilium

Cardilium

um Deus secreto e selvagem

 

Sonho atrás de sonho, madrugada após madrugada, devoro a insaciável loucura de adicionar á mente conhecimento. Confirmo a velha e sabia máxima: “só sei que nada sei”. Uma aventura que é continuação da anterior rompe-me, invade-me e dilacera-me a alma. Eu nunca estou contente. Quero mais vida, mais sossego, mais morte, mais movimento, mais cor, mais cinza, mais violeta, mais vulcões, mais guerra e mais paz. Quero mais quadros pintados nas ruas dilaceradas, quero mais ruínas. Quero mais e maiores tempestades e um deserto recheado de areia. Quero conhecer Jesus Cristo. Quero o mar no meu quintal, um pinhal e uma montanha. Quero que um Deus secreto e selvagem me adopte. Quero um sítio banal, só meu e especial. Quero tudo. Quero o amanha. Quero repensar-me. Quero as horas todas para mim. Quero a loucura de não me sentir louco. Quero não me sentir louco, nesta loucura de querer. Quero trinta centímetros de ombro, mais que sexo. Quero uma língua universal. Quero partir.