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Cardilium

Cardilium

Da baía até ti

Do cimo do meu olhar recôndito, adivinhei sentida a existência de mais do que vida na floresta densa e inacessível. Decidido em ser água gemida da rocha inclinada em que me sentei, reconstruí um caminho que a atravessasse e nela me pudesse balançar e encantar. Numa gestação de vida anunciada, nove meses separaram o desejo da travessia, ao abraço, segredo e existência. Do sonho das marés das quase madrugadas e da areia branca decalcada pelos andados passos, se construiu o caminho, sem afinal se saber que se estava a traçar o trilho da descoberta do coração, acompanhado de oração e silencio, como que por coincidência anónima se conjecturou no firmamento, o que haveria de ser presente, o futuro.

 

Faltava aniquilar algumas parcelas de tempo. Confirmar breves reencontros. Devolver a candura do astro e deixar a quimera incendiar-se. Faltava soltar palavras simples e verificar o olhar dentro do olhar. O que era agua gemida da pedra já se fecundara em vida, já desmoronava clareira adentro, e as margens já se embelezavam de coração e quietude. Faltava somente as mãos serem dadas e sentir o peito tremer de lágrimas seguradas e bênção do momento. Parecia que faltava tudo e já não faltava nada, quando o jazz inundou a praça repleta de ninguém, ofuscada por nós simplesmente. Quando os amigos nos acompanharam ate nós e connosco ficaram para que nós ficássemos, estavam a ser os arautos da nossa melodia. Quando a bola laranja de cristal nos anunciou, subimos a escadaria que nos levou até nós e … sentámo-nos próximo. Quando as mil desculpas de resistência nos abalroaram ficámos, tornando as descoincidências meras estórias, que se desejam ser mutantes, história prometida e vindoura.

 

Coincidência esta que não o é: rio calmo e translúcido, arrebatado e sonhado, crente e amado, que se eleva anti natura da foz para a nascente, e da nascente para a foz, sem nunca desaguar de forma que se possa dar como terminado.

 

Corrente esta que me invade, floresta azul e sol nascente, clareiras de sorrisos abertos e densos abraços únicos e nossos, só nossos.

 

Celebração aguardada em forma de aliança que nos ofereceremos numa manhã feita de maré quase madrugada …

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