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Cardilium

Cardilium

“Tens-me”

Estou exausto. Exausto de me carregar por estas escadas, depois da longa viagem. Exausto desta semana adiada e suportada. Deste ano idealizado, tornado longínquo e improfícuo. A vida é, como as tempestades. Do nada, ergue-se um tens-me, que me dilacera e me torna incapacitado de reacção, ou execução. Um tens-me, que me deixa atónito, inerte, surpreso, assustado, reactivo, agradecido, aborrecido, torturado, libertado, invadido, desconcertado, sufocado, arrepiado, descondizente, obcecado, incendiado, gelado, agoniado, dormente, demente, fascinado, feliz e aliviado.

 

Meter isto tudo num tens-me, assim, de uma vez só, retira-me as forças até de caminhar.

 

Preciso de voltar a mim. Agora de uma forma diferente. Não regresso da mesma forma que parti. Regresso um outro homem. Um homem acompanhado de mim, todo, por inteiro, com a minha essência dividida com quem ouve a mesma poesia. Um homem dividido no sonho, no olhar, no beijo da manhã, e nas mãos dadas da noite.

 

Regresso a mim enquanto a espera se tornou vida. Regresso a mim enquanto esperei, não sabendo estar a esperar. Regresso a mim preparado sem me saber pronto e disposto. Regresso com o teu cheiro e o teu corpo fundido no meu. Com o sorriso tornado vulcão e gargalhada. Com o mesmo chão divido pelos nossos corpos, o mesmo sofá, o mesmo cansaço, a mesma ousadia de querer gritar tão pouca palavra, para tanta vida e conteúdo. . . “Tens-me” aqui, assim, sabias?

 

És tu estrela,

Sôfrego respirar,

Desafio,

O meu desassossegado diamante,

Existência contida,

Explosão de uma vida numa noite só …

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