Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cardilium

Cardilium

No elevado do monte ...

No elevado do monte sublime a lua fica mais perto. Quase que lhe consigo tocar. Iluminada, a escuridão fica límpida. A alma leve, transparente e cristalina. Os olhares ofuscam-se encandeados e brilhantes. As folhas das árvores tornam-se luminosas e a brisa fascinante. Nos poros da terra a esperança vigora rejuvenescida. As rochas amontoadas gemem húmidas, a luz que se reflecte nas sombras dos corpos nus, despidos de preconceito, e das mãos apalpadas pelos corpos igualmente. Parou o mundo cinco minutos, não, vinte cinco minutos, trinta minutos, sei lá quanto foi o tempo. Os pólos não degelaram também. Ao longe, as luzes tornam-se ténues e candentes pela distância, assimétrica. Houve-se roufenhos ruídos de animais residentes no seu habitat, a espaços, no seu espaço. Pousada no céu, a lua, não tardará a juntar-se ao mar, como horas antes o sol o fez, sossegadamente.

 

O momento é de vislumbre, o teu rosto cândido antes, fogo depois, o teu olhar a pedires-me, a tua respiração a despedir-se da normalidade, o teu peito incandescente e as tuas mãos a cravarem-se-me nas minhas costas, excluem-me a frequência do meu coração. Já não falamos mais língua nenhuma que não as nossas e a dos nossos corpos. Curvas-te em sigilo, pedes-me com o teu braço no meu ombro que te tenha, como o brilho que temos da lua, perfeita, simbiótica, harmoniosa, sem pecado, animalescamente ternurenta. Sabedor da ressaca do dia seguinte, alheio-me, perpetuo-me de seguida nas gargalhadas satisfeitas do momento, aliviado, renovado, sentido, cúmplice, retornado às arrecuas e aos avanços sensoriais, únicos, indecifráveis e indiscritíveis que me deste tu ... luz de lua, feitiço e encantamento.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.