Kristin, essa besta que entrou por aqui dentro e destruiu o que lhe apeteceu.
Dispenso mais fotos de destruição nas redes sociais.
Dispenso toda a caridade eleitoral.
Dispenso os benfeitores de devidendos.
Sobra sempre para os mesmos e, daqui a nada, são só os que sobraram que por aqui estão.
Não te vejo nas pétalas da flor brava,
Houve tempos em que chegavas nessa altura,
Agora o manto de nevoeiro sucumbe comigo ao cansaço,
Da espera que fazemos por ti.
Fazia vento,
à tarde o sol rebentou,
e eu aguardava o que faltava do dia,
já as flores se enroscavam na terra,
quando o teu perfume entrou,
era o que me faltava da noite.
A melancolia dos dias em que a recordação invade o presente, continua como se o presente se revigorasse de saudade. Amanheço adolescentemente, controlando o sismo que me salta do peito. Já é hora de me arrastar pelo dia adentro.
Pouco há a dizer sobre caminhos, muito há a dizer sobre direcções.
Essas (as direcções) são quase sempre tristes. Os caminhos, quase sempre tristes alegres.
Como os rostos nas fotografias. São vistos felizes por todos os olhos que não os meus. Como os textos.
Se duas ou mais interpretações se repetirem no texto este deve ser reescrito, porque faltará o que faz do texto, prazer.
As feridas reacendem-se-me depois de décadas. Fazem-no com cheiros, lembranças, e até já os enterros me causam boas recordações tanto como saudade.
Desejo o vento ao adormecer, e já não são as horas que me definem. Há tempo.
Daqui a pouco há eleições, sinto medo da ignorância politica dos candidatos, da demagogia, dos interesses, do desrespeito pela constituição e do verdadeiro interesse pelo crescimento económico e melhoria de vida das pessoas.
O voto util não será o meu voto, sou mais de convicção social e defesa da democracia, mesmo arriscando não enfrentar (para já) quem abomino, mas quero dormir ciente de exercer o meu direito em liberdade e real convicção, sem desventura.
Os meus olhos soltam-se de luz e água,
no brilho que se põe,
terno,
na praia esbatida de mar,
e acompanhada ausência,
dos dias que foram outrora - querença -
É absurdo morrer, após tantas noites de estrelas e luas que se enchem e esvaziam de medos, coragem, amor e projectos por sonhar.
É absurdo morrer sem que deus me tenha visitado.
É absurdo!
Fiz de conta que não era solidão,
havia luzes, músicas,
mulheres e homens a dançar,
companhia e gente a rir,
e eu a rir de chorar.
Faço de conta que não é solidão,
e mesmo sentado entre gente,
não percebo o que dizem,
não entendo do que riem,
mas faço de conta que é companhia.
Fiz de conta que não era solidão,
e não foi quando:
- fiquei só -
As divisões da minha casa que não frequento sentem-se sozinhas,
Pensei nisto, sentado no sofá a folhear um livro, no meio de um sonho em jeito de viagem causada pelo autor,
na verdade, a solidão é uma divisão pouco frequentada, esquecida, desabitada,
que faz falta ter gente,
cheiros, beijos, flores plantadas,
e um despertador que de madrugada acorde a manhã da alvorada.
Há divisões desacompanhadas de vida dentro da minha casa.