FMM 24
Tenho sorte do mar estar lento e o tempo a desmoronar-se em mim, como a música que me seduz a ficar mais um dia em todos estes anos adocicados de mundo.
Tenho a sorte da cidade se fechar e a planície se abrir para me receber.
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Tenho sorte do mar estar lento e o tempo a desmoronar-se em mim, como a música que me seduz a ficar mais um dia em todos estes anos adocicados de mundo.
Tenho a sorte da cidade se fechar e a planície se abrir para me receber.
Estou fantasiosamente apaixonado pela terra a que pertences,
pelas mãos das árvores que circundam o caminho onde te deixo,
até a luz do prédio se apagar.
Entraste-me em casa!
Na poesia frequento sítios que desconheço,
paisagens que nunca vi,
e cheiro até a terra que me havia de sepultar,
caso eu não a fintasse,
e escolhesse as cinzas doadas ao vento a 150 kmh na A1 ao km 93.
Fantasia da poesia frequentada!
A liberdade perdeu-se quando o homem ficou refém de um salário e o dinheiro se tornou na sobrevivência humana.
As coisas, uma a uma, vão-se encaixando no lugar delas, no sítio e no tempo das nossas vidas, no local onde têm de estar. Elas decidem. A nós passageiros, pede-se somente que ocupemos o nosso lugar e nos encaixemos no sossego das estações.
Não é humor é desafio, desafio a um rio de ideias.
Tenho mais medo dos donos, do que dos cães, que a mansidão do ensinamento desaprendesse.
Por este rio acima, pela reflexão, pelo sentir, pelos acordes perfeitos, as orquestrações, a poesia, o mar, a liberdade, a Rosa, a Rosalinda, as mulheres todas, a democracia, os ventos, os sonhos lindos, os barcos que partiram, os homens que chegaram, a guerra sem sentido, as mães viúvas, os filhos órfãos, por nós todos, obrigado pela companhia, por esta vida acima,
“Hei-de ser punho cerrado e ternura docemente”
Falar demoradamente das coisas do pensamento,
sem tempos,
com a maresia que espreita a noite,
e a tua pele a cheirar a flores,
com o sossego da tua companhia,
e o desassossego da nossa poesia.