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Cardilium

Cardilium

A liberdade, essa maluca!

Sou alguns personagens que desconheço. Em mim incorporam homens livres, experiência que nunca tive nem creio. Não afianço a liberdade do homem. Acredito em algumas liberdades que não a minha.

Acho livres: - o vento, o mar e as nuvens –

Fui aprisionado com todos os dogmas que se me apresentaram, com o conceito de pecado, de verdade, de liberdade mais encarcerada até que alguma prisão.

Luto para que a liberdade seja em mim - “uma não própria vontade” -  que nela eu tenha pouca importância ou intervenção, que não seja mais do que sono exaltado que tome conta de mim, com o sentido do sonho que gozo através dos personagens que desconheço de mim e em mim.

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André Ventura / Mário Machado

Assusta-me a instrumentalização do André Ventura. A minha opinião foi mudando. Acho que não é um democrata, acho que é um “portuguesíssimo chico esperto” mas também acho que está a ser engolido por uma extrema direita assassina que já matou e foi condenada, e aproveita o ingénuo (sim, porque comparativamente a eles é um ingénuo) André Ventura para fazer sangue e desenterrar a sua violência, racista, pseudonacionalista, homofóbica, xenófoba para fazer ressurgir o sonho de Mário Machado.

Perigosa esta “aliança”.

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Procuro-me

Procuro-me ainda. Revisito-me diariamente.

É impossível não o fazer se a minha essência é cristalizada em mim. Mudei algumas coisas porque fiquei mais velho. Tomei melhores decisões com o tempo mantendo velhas decisões tomadas sem muita consciência ou certeza, mas que eram inevitáveis. Mudou muita coisa desde há mais de vinte para cá, mas não mudou coisa nenhuma no fundo.

Procuro-me ainda. Revisito-me diariamente, e as certezas são as mesmas incertezas.

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O cheiro a pessoas na praia? Já não o sinto

Há cheiro a pessoas na praia, sinto-o. Ainda não desci a arriba que me dá o mar de prazer, escolho o canto onde não se ouvem vozes, onde não se tiram fotos por troca em tirar a roupa.

O sol faz a função vitamínica na minha pele. O sono a função retemperadora do meu corpo. O livro abraça-me com a areia.

Acordo depois de adormecer para voltar a adormecer depois de acordar.

O mar oiço-o de dentro da terra, com o céu, as nuvens, e o perfume dos cactos de flor amarela a dizerem-me que que o mar não é um vulcão, mas que são amigos e se dão bem.

Já não oiço pessoas. Agora que tiraram todas as fotos ao por-do-sol das ondas do mar, já não as oiço, foram breves instantes de mar somente.

O mar, oiço-o agora de dentro da terra muito mais mar, muito mais terra, abraçados esperam que a noite sucumbe cada vez mais cedo.

O cheiro a pessoas na praia? Já não o sinto.

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De tudo e de nada

E,

sabe-se tão pouco de tudo e de nada.

 

Sabe-se nada,

contudo pensa-se que se sabe tudo,

e nada se afigura mais alto que o valor dos olhos que se despem de alma,

e,

nus,

deambulam pelas ruas e florestas,

e afagam os cães mansos que se acariciam nas pernas de quem confiam.

 

As partituras das músicas que mais gosto são a meus olhos quadros coloridos,

móveis desenhados,

e a sala que habito onde não me importo de não saber nada de alma,

sem outra roupa que me cubra que não a nudez.

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semiabertos / semicerrados

Resmungas antes de o dia resmungar como no primeiro dia, acordas embelezada pela noite e, esperas o momento para te deixares acordar, é um sonho ver-te assim de olhos semiabertos / semicerrados.

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Estas arcadas de nós

Estas montanhas que devorámos sem saber que do outro lado existiam silvestres as cores, os campos amorangados cor do sol que penetram o horizonte, e ainda mais longe, a noite já deve existir pelo tom do dia.

Estas madrugadas que nos abraçaram sem sabermos que para lá da cidade também existe amor numa forma mais própria até, sem o medo da informação, da experimentação, da imagem, um amor mais amigo que a trovoada largada nas fendas de terra seca de sede.

Estas noites voluptuosamente satisfeitas de seios e corpo, de lábios e boca, de sexo como navios desancorados em mar sem lua que indique a maré, sem astrolábio que traga a direção do vento.

Estas arcadas de nós onde pernoitamos sem que alguém chegue, sorria e parta.

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