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Cardilium

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Quem não muda decompõe-se

Quem não muda decompõe-se. Decompus-me antes de mudar. Se não se o é antes, ser-se o há, depois. A capacidade de relativizar opiniões faz parte do meu crescimento. Há idade para errar, e erros ajustados à idade. Há infantilidade nos erros tardios e maturidade nos erros acertados e consertados. O exemplo não é feito por palavras, é feito por acções, essa riqueza imensurável. Assim errado, trouxe gravado em mim o teu sal perfumado, reparado num acto contínuo, nesse pedaço de mar azulado, inconstante, pérfido e desalinhado. O Bugio foi a testemunha estremunhada. A espuma dos nossos beijos, alinhados com as estrelas cadentes que vimos cair, dirigidas a Tróia, conduziu-nos para sul. Primeiro Marrocos, depois Tarifa, por fim, Melides esperou nos. Não existem mais viagens depois dessa. Chorosa saudade de nós, ali, perfumados de pinhal e de dedos soldados, acreditando na eternidade. O céu está na mesma, o assobiar da noite iguala-se a antigamente. Não me decompus mais, mudei, mudei-me. Enfatizo agora muito do querer de outrora. Represento papéis que me sustentam. Sou filosofia, pendência e aroma. O Alentejo é mais Alentejo junto ao mar, decompõe-se quando dele se afasta, tal qual a humanidade. Gosto do castanho enrugado da terra, do céu estrelado, e do mar moreno na pele daquelas gentes. Gosto dos lenços de ramagens à cabeça, das ceifeiras de Portugal. Gosto da sabedoria de quem acha, que nada sabe.É eterna,impaciente e necessária, a minha solidão.

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