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Cardilium

Cardilium

felicidade que me golpeia

Não existe outra presença no pedaço moreno de mar que frequento para além de mim,
o farol,
a madrugada,
o brado das ondas,
o pinhal,
o cheiro forte a luar,
as estrelas deitadas sob a lua,
a minha viola,
e a felicidade que me golpeia naquele pedaço moreno de mar que frequento.

Tens no meu leito o teu lugar

Tens nas tuas mãos o saber da minha pele,
No teu corpo o sentir do meu toque,
Na tua boca as minhas palavras.

 

Tens o meu respeito no teu peito,
A minha saudade na vontade,
O meu sonho no teu ventre.

 

Tens no meu leito o teu lugar,
No teu jardim a árvore que plantei,
Tens em ti a luz que me abraça.

Excerto de palavras encantadas de nada VI

(falas dos personagens "Mar_e_ana" e “Sol_e_mar”, de um romance em desconstrução por ver a luz do sol um dia)

 

“ … Não adianta mudares de cidade ou de casa, aquilo de que foges está preso a ti, o que deixaste para trás, amanhã acordará contigo na nova casa, na nova cidade, na tua cama ou noutra cama qualquer, a tua pele e o teu sorriso desmaiado não tardará a ser encontrado pelo que foges, e o nevoeiro tomará conta da tua alma, aqui ou noutro sitio qualquer, a podridão não é física ou espacial, são conceitos e ideais tolhidos pela verdade. Enfrenta-te e descobre-te, disse.

 

Como faço isso? Dói?
Dói mas sara e liberta, sentirás na leveza do sono a compreensão do que julgaste nos outros, perdoarás a mulher a quem roubaste o seu homem e o filho a quem roubaste o seu pai, perdoarás a representação diária que os teus olhos declaram no cansaço de ser quem não és, compreenderás que afinal não te devem nenhum pedido de desculpas, e que tu deves descobrir a verdade que desconheces, tão viciada estás na mentira, que te parece verdade o que crês.

 

Sabes, a maior parte dos dias quero que acabem cedo. A maior parte das manhãs, quero que não acabem com a noite. Quero ser criança outra vez e navegar nas margens do douro, sem ter que jogar este jogo infeliz, quero recomeçar tudo de novo, e entender esta paz podre que só eu sei sentir, quero deus de volta.

 

Obrigado “Mar_e_Ana”.
Abraço-te “Sol_e_mar”..."

Excerto de palavras encantadas de nada V

(fala do personagem "É do Mundo", de um romance em desconstrução)

 

" ... Amar verdadeiramente é desamar.

 

Amar o desamor reconhecendo o desamar no amor, depois, o desamor não faz com que tudo tenha sido mau, pelo contrário, foi tudo bom e tudo voltará a ser, quando o desamor voltar a ser amar, e desamar voltar a ser amor..."