(falas dos personagens "Mar_e_ana" e “Sol_e_mar”, de um romance em desconstrução por ver a luz do sol um dia)
“ … Não adianta mudares de cidade ou de casa, aquilo de que foges está preso a ti, o que deixaste para trás, amanhã acordará contigo na nova casa, na nova cidade, na tua cama ou noutra cama qualquer, a tua pele e o teu sorriso desmaiado não tardará a ser encontrado pelo que foges, e o nevoeiro tomará conta da tua alma, aqui ou noutro sitio qualquer, a podridão não é física ou espacial, são conceitos e ideais tolhidos pela verdade. Enfrenta-te e descobre-te, disse.
Como faço isso? Dói?
Dói mas sara e liberta, sentirás na leveza do sono a compreensão do que julgaste nos outros, perdoarás a mulher a quem roubaste o seu homem e o filho a quem roubaste o seu pai, perdoarás a representação diária que os teus olhos declaram no cansaço de ser quem não és, compreenderás que afinal não te devem nenhum pedido de desculpas, e que tu deves descobrir a verdade que desconheces, tão viciada estás na mentira, que te parece verdade o que crês.
Sabes, a maior parte dos dias quero que acabem cedo. A maior parte das manhãs, quero que não acabem com a noite. Quero ser criança outra vez e navegar nas margens do douro, sem ter que jogar este jogo infeliz, quero recomeçar tudo de novo, e entender esta paz podre que só eu sei sentir, quero deus de volta.
Obrigado “Mar_e_Ana”.
Abraço-te “Sol_e_mar”..."