O dinheiro não interessa nas horas que voam nos nossos jantares,
nem os carros,
ou as casas,
interessa-nos o amor de vinte anos,
de trazer o mundo que não habitamos,
para o sábado do nosso mundo,
e aí nos despimos e somos,
e as horas não são tempo,
e somos vida na amizade que nos acompanha,
afinal o que importa não é vida que fingimos,
os negócios ou os cargos que ocupamos,
importa-nos somente estar desabotoados,
sem modos ou linguagem adequada,
e sermos nós,
na vida dos jantares de sábado ou outro dia qualquer.
Poema a uma empregada desconhecida da 5àsec
Ainda a passear o ferro pela roupa perfumada?
Ainda a cuidar do que me vai cobrir a pele?
Ainda que não saibas a quem essa roupa pertence,
e o tamanho do ser de quem é propriedade,
é nessa vontade de passear o ferro,
que engomas a minha roupa perfumada,
e depositas por lá a tua alma.
obrigado.
Silaba por silaba falei-te da minha intuição,
do que nem deus sabe acerca de mim,
do meu visceral sentir.
Mostrei-te a minha razão e sensibilidade,
tudo o que se dilui em mim,
a esperança,
a confidência,
o corpo.
Tudo te disse num sussurrado murmúrio,
num grito roufenho desesperado,
demonstrei-te na constelação das estrelas que caíam,
no ultimo raio de sol,
na lua azul do mar moreno, na madrugada e no amanhecer.
Nada foi suficiente, mesmo declamando silaba por silaba.