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Cardilium

Cardilium

Amo a mulher minha filha

Gosto das mulheres que cheiram a madrugada e que têm na pele o desígnio do destino;

Gosto de mulheres que me enfurecem de desejo e me acalmam com o olhar;

Gosto das mulheres de mangas arregaçadas e de timbre solto na voz;

Gosto das mulheres de cabelo livre como a alma;

Gosto das mulheres de um ano inteiro;

Gosto das mulheres arautos da beleza e simplicidade e, de lágrimas prontas a parir;

Gosto de livre arbítrio, do pensamento divergente e da mulher entre as mulheres;

………………………………………………………………………………………Amo a mulher minha filha.

Palavras por ver o sol um dia IX

“… Era eu e um outro corajoso habitante de mim mesmo. Guerreámos anos sem que a consumação da mesma alma ficasse menos distante ou una, sendo as duas pertença do mesmo ente.

Numa manhã enfeitada de valquírias no bairro da lagoa negra surgiu um fogo que nos retirou as palavras da voz. Restava entendermo-nos por sinais inventados que descapitalizassem as palavras e nos abraçassem em sintonia.

Descobrimos o abraço, aquele gesto que a palavra intimidade não decifra ou explica. Aquele gesto em que o coração partilha mais do que o coração. Aquela atroz fusão entre a proximidade e a necessidade de nos enlaçarmos. Afinal as palavras foram apenas sons emitidos sem descodificação.

Deixei de ser eu e um corajoso habitante de mim mesmo e, passei a ser:

- um ser habitado de mim próprio…”

Sete ondas

Quatro luas no céu,
sete ondas no mar,
as colinas que avisto não são sete nem são quatro,
no céu fica cheia a lua quando cresce,
e no mar a sétima onda é o desejo.

...

Adivinho que para além da colina existe um chão forrado a poesia.

Salgada mente

se não me recordo já nem da tua cara,

é porque as lágrimas foram verdadeiras,

e fizeram o seu propósito,

salgaram-me a mente,

lavaram-me a alma,

e já não tenho mais respostas,

nem perguntas por duvidar.

Derivante

Fresca e profunda melodia. Derivante. Delirante. Nas esquinas da cidade escurecida a luz dessa melodia fascina-me. O rio cheira às flores que falecem nas árvores. No pranto da voz das mulheres escuto a dor que se solta das suas gargantas na felicidade que não as escolhe.

Penso! Somos escolhidos pela felicidade ou elegemo-la nós?

O silêncio tem muito que se lhe diga

O silêncio tem muito que se lhe diga.

 

O silêncio tem a plenitude da sabedoria.

Divide os silêncios comigo e … existimos!

 

O silêncio são as horas em que a dimensão da sabedoria me possui em reflexão.

É o mundo a incendiar-me com a sua grandeza.

Terra. Ar. Fogo. Água.

 

O silêncio feito de silêncio é a minha paz.

Cheira a pinhal arenoso e mar.

Sabe a vento e a lua e, beija-me a face como os raios de sol que me desadormecem.

 

É tempo nenhum esperançado de todo o tempo do mundo.

É todo o tempo do mundo construído de pedaços de tempo nenhum e, assim nos vamos segurando, enquanto tempo nenhum ou todo o tempo do mundo nos abarca.

 

Vamos naufragando!

Vamos navegando!

A poesia do teu ser

A lua é um poema no céu como os teus olhos são: a poesia do teu ser,

O mar é a emoção que te compõe como a madrugada é: o sossego do universo,

O arco iris é a dúvida entre o sol e a lua e, a chuva em ti é: - a cor com que enfeitas o teu sorriso,

O vento é a música das noites e em ti são: - um verdejante prado que acaricia as tuas lágrimas e a saudade.

Posso tudo

Bem sei que a aurora pode amanhecer ao entardecer se assim for o despertar do teu silencio,
E pode acontecer a madrugada anoitecer se por aí ocorrer a tua chegada.

 

As tuas mãos posso confundi-las com os teus cabelos pela suavidade,
O teu sorriso com o sol pela tua luz,...
As tuas lágrimas com vento pelo teu sentir.

 

Posso adormecer no alvorada,
E acordar na noite chegada.

 

Posso tudo!
Posso tudo, por toda a desregra que existe em nós.

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