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Cardilium

Cardilium

Sabes Pai

 

O teu olhar azul fascina-me. De repente muito de repente, tens dificuldade em raciocinar e articular ate o teu nome. Apesar da dor, de te ver aos poucos a desbaratares, penso e repenso que fiz contigo, uma data de coisas que queria fazer. Essas, não as vou chorar não ter feito. Sei que estas sossegado e em paz. Que a tua empreitada foi feita, que está na hora, e que tens todo o direito a trocares pensamentos e palavras. Vejo te sorrir. O teu olhar azul embebeda-me de vulnerabilidade. Estou forte contigo. Estamos cá. Deus há-de abonar. Obrigado. Nada há a provar.

 

Sabes Pai, não sou perfeito. Faço muito do meu caminho imperfeito. Mas faço-o. Não espero nem debito que me o façam. Meto pernas ao caminho e faço-o. Ensinaste-me isto e muito mais. Nem sou culpado, nem vitima. Não sou bom, nem sou mau. Não apoio o meu bem-estar em ninguém. Sou autónomo e auto-suficiente. Mas preciso daqueles três ou quatro. São a minha família, que como sabes é muito curta. Tu a mãe e a Joana. A Joana vai embora. Que Deus a proteja.

 

Estavas cândido hoje quando te vi. Vejo te menos agora. Já não almoçamos juntos, mas estamos perto. Faço questão de te abraçar sempre e todos os dias. Um dia irei recordar esses dias abraçados. E é de dias abraçados que vou andando de abraço em abraço, de dia em dia. Não ligo a muita coisa que me faz mal. Não percebo a inveja, não percebo as más intenções, não entendo tanta coisa. Não tendo nada, tenho tanto. Tenho-me, tenho te, tenho-vos.

 

Prefiro o silêncio do arco-íris à profana ocasião do vislumbre.

Ver-te-ei.

Obrigado Francisco por tudo.

Bendito ópio

 

Ópio bendito ópio,

Que saras as feridas,

Enchendo-as de sangue.

 

Relativizas,

Optimizas,

Inventas o gerúndio.

 

Ópio maldito ópio,

Que sacodes a esperança,

Que tornas terno o sentir.

 

As palavras morrem na verdade,

Que não se sabe,

Que não se pretende saber.

 

Fugazes ondas de mares,

Desfazem-se num promíscuo,

Ataque intangível.

 

Prostitui-se a alma,

Incapacitada de ver que:

“O essencial é invisível aos olhos”.

 

Ontem não se era bom, e hoje mau,

A verdade não se transforma em mentira,

Pela “desaceitação”.

 

Os inversos,

Matematicamente compõem-se,

Não se opõem.

 

Viver pode ser ignóbil,

Não quero,

Bendito ópio.

Difácil...

 

Estou cansado, infértil, desesperançado, sem ideias. Estou em Junho, meados do ano mas afinal, final para mim. Durmo quase nada, trabalho tantas horas como as que consigo estar acordado. No meio desta insane forma de estar e trabalhar, passam-me ideias desgastadas. Penso no amigo do deslize. Do deslize só sei isso mesmo, deslize. As partes não o partilharam. A da suposta honestidade falou-me no a, b, c, d e demais cognomes mas esqueceu-se do x. A outra, posso perceber que se cruza comigo na vida, mas a protecção impera…… vale o que vale. Isso distingue-me.

 

Esta expressão, é pródiga em retirar dimensão, em ajustar e situar.

 

Espero por meados de Julho, e outro título honorífico juntar-se-á a um curriculum já recheado de “merdas”, que me gastam a vida, e sei lá se me dão vida. No outro Julho serei mestre, passarei mais uma data de meses isolado, a pesquisar, a estudar, a fazer e a desfazer, e da destruição criativa nascerá uma “merda” qualquer que será a ultima antes do suicídio.

 

Sempre me fascinou poder escolher o dia, a hora e a forma como fazer. Sempre achei 50 anos a idade perfeita para decidir a forma, “ó Grande não seja maluco diria a Susana, nem gosto de te ouvir dizer isso, então e eu?” 

 

Estou demente, exausto, dormente, sem ideias, quase sem pais, sem filha proximamente. Sobro eu. Chegou a hora de ser eu a dar a comida aos meus pais, a deita-los a acorda-los. Nunca o fiz mas sei que estou preparado. Sei que sou capaz, a vida tem me dito que serei capaz de tudo. De muito mais, do que alguma vez julguei ser capaz de mim.

 

Este fim-de-semana não esta a ser fácil. Um dia ouvi uma criança dizer difácil. Registei a simplicidade com que uma criança encerra, a carga que tem a facilidade e a dificuldade, numa inventada palavra. Difácil é diferente de nim. Nim é descomprometido, Difácil é fácil e difícil mas comprometido. Fantástico, soberbo. Este fim-de-semana esta a ser Difácil carregado de sentir.

Está a ser por aqui a trabalhar…com comprometimento.

O meu presente imaginado

 

Vem mistério e arte, aninhar-te no meu colo

Vem poesia misturada,

Números de beijos com que te sufoco

Prende-me outra vez a respiração,

Dá me alento

E vida em mim.

Mar tão verde desaguado em ti.

És o meu passo cadente,

Estrela a quem peço o desejo.

És a minha oração.

O meu presente imaginado,

O meu próprio cheiro.

Faço – me de ti,

Eu próprio.

Tu és a minha canção,

Feita de um conto animado,

Feita de uma melodia que me despe e entoa,

Que me mostra onde habita a minha alma,

A minha calma,

Onde as chamas se tornam as minhas luzes.

E eu,

Viva,

Parada,

Mergulhada em ti,

Sem querer,

descubro-me,

conheço-me,

Sou vida assim

Querida,

mais sentida que falada

Dorida

Encaixada e encantada.

E neste momento,

Não ouço o tempo,

Ouço a minha canção,

A tua respiração quente.

Fecho os meus olhos e sinto-te para além do que vejo

Já não és a minha oração

Noutro tempo ver-me-ás,

Fiel,humilde

Seguindo a fé que conheço

Pagando o que afinal existe

És uma forma de prece

Um ensinamento eterno .

 

 

O Bloco dobrou

 

Os caminhos mais fáceis são os menos prazeirosos. Nunca nada foi linear e não há-de ser. As madrugadas nunca entraram no tempo certo pela minha janela adentro. A noite nunca caiu ou se pôs, como as noites todas caem ou se põem. Sobra-me pouco tempo, para alem do tempo que tenho, dos meus afazeres.

 

Vão cinco anos em que transformo os sonhos da noite, em realidades do dia. Cheguei onde não sabia ser capaz chegar. Ainda não acabou, ainda agora começou. Na verdade sou um ser mutante. Na verdade ainda me descubro e reinvento. Ainda decido, ainda me surpreendo. Auto admiro-me com a mesma facilidade que me critico. Penso e fundamento-me.

 

Não adormeço ou acordo induzido. Adormeço com o sonho e acordo com a esperança. Dia após dia, noite após noite. Cada etapa torna-se numa tarefa. Umas após outra vão sendo empreendidas. Apaixonei-me pela vida antes de tudo. Desafio-me. Entrego-me. A saudade existe antes de ser saudade, o desejo antes de ser desejo. A vontade é a soma do desejo com a saudade. A equação que me qualifica o sentir é aleatória e inesperada.

 

Como se faz de dois um? Não sei, mas existe prolongamento de um ser, noutro que se funde. Prolongamento sensorial. Inexplicável. Ontem fundi-me á beira de um rio. Vi a bolina do vento presentear-me. Vi pássaros expiar-me. Vi ruínas, que não eram as minhas próprias ruínas. Vi a minha empreitada solidificar-se, ganhar forma, ter conteúdo e encanto. Ontem misturei-me com a mãe natura em todas e diferentes variantes que ela encerra.

 

Esquecia-me o Bloco dobrou os votos, "A maior votação da história do Bloco" ...

É a terceira força politica ...

E elegeu tres deputados em Estraburgo....

A diferença faz-se no levantar

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

 

(Fernando Pessoa)

O magoito !...

 

O Magoito continua lá, intocável. As tuas mãos pequenas arrecadam o enorme que tens para dar. Escorrem-te os caracóis de cabelo pelo rosto. O mar é testemunha das palavras aquecidas generosamente pelo sol, ainda de Maio. A pedra desenhou um sofá onde te aninhas, em contemplação do enorme sentir do medo, da realidade e do sonho.

 

Se acabassem hoje as horas e se eternizasse o momento?

 

O sal solta-se ao bater nas rochas cinza e molha-me a face. Saltitas de pedra em pedra ate ao exíguo precipício onde tocas a agua. Os moinhos desfraldam vontades ao vento. O dia passa-se para a noite. O mar escurece. O timbre certo de cadência do oceano, ritma o avassalador sentir das ondas, sem adjectivos ocorrentes para o momento.

 

A Aguda e a Assafora antecipam-te e prolongam-te, são o teu sul e norte. Eu sou o presente e o sentimento. Fui alegria ás vezes. Alegra-me ser assim. As minhas mãos curvam-se como as sílabas que roufenho arquitecto.

 

Choro lágrimas secretas e invisíveis. Molho de agua as letras, por de cima do que escrevo ao pensar-me, ao pensar-te, ao pensarmo-nos. Aflito cravo um ai num vernáculo desabafado. Dói me o peito de segredo, de desilusão, de omissão, de impotência. Riu-me, tenho fé que o tempo abonará. Tenho um sonho, vários sonhos, um maior que os outros todos. Sei que o tempo abonará.

 

 

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