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Cardilium

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Suspirar é respirar pelo coração

Suspirar é respirar pelo coração, respondi eu, de cada vez que me perguntaste o que significava aquele respirar tão profundo, aqueloutro expirar que te fazia parecer, que fugia de dentro de mim, um bando de pássaros desarvorados, que desenhavam círculos no céu, que pareciam brincos de pérolas muito brancas, quase translúcidas, como os pensamentos que teimavas em ler, e que se exprimiam apenas naquele ar suspirado, ora forte, ora suave e imperceptível. Acontecia madrugada no nascimento pianinho do sol abraçado e geminado, acalorando o dia de esperança e fé, aquela fé renunciada pela revolta da incerteza do próximo momento. Preciso de momentos meus. Quão difícil é achar o meu prolongamento visceral, a minha história para contar. Os meus dedos entrelaçados na música que componho e que nunca ninguém ouviu, precisam de libertação. Quão difícil é, abraçar e sentir o tempo parado no mundo, e saber que se o mafarrico chegar me protegerá, como se aquele abraço fosse um exército de guardiões e cuidasse da minha alma. Já senti o conforto gestativo de não temer. Já experimentei o excesso emocional de aceitar as decisões que não tomo para mim. Noves fora nada, é nada. Dá resto zero. Zero é o que tenho, o que construi, o que senti. Suspirar é sussurrar pelo coração, é desabafar, mentir e dizer a verdade, ser eu e o outro, o mar e a rebeldia, a indecisão e o vento, o ódio transformado em amor, a abundância em miséria, a morte antes da vida e a vida depois da morte. É com um suspiro que se acaba. É com um gemido que a viagem termina, seja pequena ou grande, de noite ou dia, é com o queixume que nos despedimos, antes de expirarmos um olhar de saudade.

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