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Cardilium

Cardilium

Anterior à lágrima e subsequente ao sorriso

Um fio de luz irrompeu a penumbra clareando a escuridão. Irrigou e amanheceu-me as ideias, convertendo-as afirmativamente. O trabalho de que disponho desemaranhasse como um pião de madeira lançado num vertiginoso rodopio. Viver dá trabalho. Pelo menos viver pensando, decidindo, caminhando, não subestimando, não vendendo e esculpindo o caminho traçado. Lavrar, erigir e desobstruir, falece e anima a alma no minuto seguinte do outro, anterior à lágrima, e subsequente ao sorriso. Gosto de dar as mãos. Gosto de mãos. Mãos desenhadas e acabadas. Gosto das mãos que me fazem adormecer sem medo. Gosto do sono bom de bem acordar. As mãos são limpas. Uma vez sujas, jamais voltam a ser limpas. Como a mente. Uma vez conspurcada jamais deixará de o ser. E a amizade é igual. Uma vez seca, jamais será verdejante, tal como a colheita de uma sementeira. Tal como a desilusão. Esta, dificilmente deixará de ser desilusão. Como o desamor, que não mais será amor luxuriante. Estas “coisas” que sentimos são pedaços de nós, e tal como o vento que passa, desaparecem. Não se voltam a juntar.