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Cardilium

Cardilium

Pai chão...

Tentar mudar os outros é sofrimento escolhido. Não se podem alterar escolhas que não as nossas, vontades ou decisões. Alterar o peito que não jorra, em nascente abundante é a inexistência do desejo. O chão térreo e firme decalca ensinamento. Recordo o meu pai e a sua protecção de cada vez que cai. Do seu olhar que me cegava e a da forma exígua como me levantei. O meu pai, chão e paixão. Sou desperto e iluminado pela capacidade de sentir. Os meus pés, sustentação de mim são alegorias metafóricas, combinações de átomos, fogo e céu, partículas incandescentes tornadas obra. Sinto-o ao correr e ao ler, mas muito mais ao reler o que não comando e escolho em mim. Vejo, mas vejo muito mais e em crescendo ao rever. Oiço, mas oiço diferente ao escutar. A escuridão é uma prima construção do silêncio, o silêncio oxigena a minha existência e verdade. No escuro do silêncio decido sem medo, abraço-me, num merecimento de mim mesmo. Na desconstrução nasce a decisão. A dúvida semeia o não, a verdade decide a inteireza da resolução. De audácia me deixo marejar olhos dentro, pelos sorrisos abertos de quem me olha e vê. De quem se desagrada de mim, por de mim se entender. Terra firme, pai e chão.