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Cardilium

Cardilium

Fragmentos experimentados de vida

Aos poucos aquilo em que acreditei foi-se modificando. Foi-se modificando o exterior a mim pela modificação do meu interior. Os meus olhos sublimaram, as minhas necessidades alteraram-se, o meu pensamento afunilou e abriu-se. Não sei se pelo conhecimento, experiência ou espírito, os meus ideais estão intocáveis, as minhas ideias ajustadas aos fragmentos experimentados de vida. Não sei se sou louco, velho, criança, de meia-idade, profano, revolucionário ou sano. Sinto-me cego de tanto ver para além do tacto. Sinto-me rude deste doce acreditar no amor na vida dos outros. O que é isso do amor? Miserável em mim esta incapacidade quase inata de tão adquirida e transitada na minha existência. O amor não vibra com o medo, o medo é inimigo do querer, o querer tem fascínio pelo passado, o passado é confidente da desilusão, a desilusão coabita paredes meias com a insegurança, e todas estas equações binomiais me parecem uma praça de multidões que em catarse se confortam, como bairros que se habitam sem ninguém se olhar. Ficam assim as partes próximas da solidão. Esta por sua vez pode ser mental e regularmente dormita em casa da loucura, ou habita a floresta do auto-conhecimento, farsa ou acolhimento. Revisito quadros com poemas inventados de personagens belas. Revisito-me ensanguentado de colares de lágrimas feitas de coragem.