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Cardilium

Cardilium

Sou fã dos rudes !....

Era um aluno daqueles ansiosos pelo toque que abria as portas do jogo de futebol no campo de basquetebol nos intervalos das aulas. Quem chegasse primeiro jogava. Ainda o toque se adivinha e já corria para o campo. Driblava bem e chutava de pé esquerdo. As notas orbitavam entre o satisfaz assim-assim e o satisfaz bem. Era referenciado com um: “podia fazer mais”, por parte dos professores. O satisfaz para mim era bastante. Acreditava que o futuro seria a ajuntamento das experiências e por aquele momento o satisfaz era suficiente. No liceu joguei, beijei pela primeira vez e pela primeira vez também, dei a mão tremida a uma rapariga. Voltei a estudar anos mais tarde, já disponível para não ser um satisfaz assim-assim ou bastante e passar para o nível de satisfação pessoal que já entraria no bom mais, esforçado e empenhado de recuperação do tempo encontrado, mais do que perdido. Viajei, morri e ressuscitei. Encontrei-me mais do que me perdi. Reinventei-me. Sobrevivi à vivência escolhida. Ganhei defesas e tornei-me num bisonte emocional. Entendi sozinho o que nunca teria entendido acompanhado. Habituei-me a mim próprio e suporto-me nalguns dias. Envelheci com juventude. Amei e fui amado. Enrijeci. Ganhei massa crítica e experiência. Deixei de me embalar com discursos bonitos e tornei-me fã dos rudes, dos caminhantes, dos viajantes mais que turistas. E aprendi lendo. E sei, acredito, sinto e identifico-me com as palavras suadas que dizem: “ … que se cresce mais à sombra que ao sol…”