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Cardilium

Cardilium

Aqui IV

A onda mais bela é última, a que ainda não deu à praia. A minha alma é feita em partes iguais de maresia, nevoeiro, mar e sal. Este é o meu momento. O momento em que não me prendo. O momento em que me liberto, em que me deito e descanso. O momento onde sou eu. Onde me encontro sem a procura de coisa alguma a não ser de mim por dentro. Onde encontro o que existe em mim e descodifico com palavras feitas de pensamentos, conceitos, e estímulos que entendo e aceito. Aqui posso ser mar, viagem, montanha, céu e arco-íris e sei lá mais o quê. Posso ser o que me apetecer. Posso ser a minha cara toda, por inteiro. O meu peito pode-se abrir e navegar por onde lhe apetecer, tem a rédea solta. Aqui não necessito de entendimento, nem social, nem interpessoal, nem conotações em jeito de adivinhação. Aqui sou em contra-luz, com a intensidade da luz e a penumbra que escolho ter. Aqui sou eu com a música que escolho ouvir para ser embalado, com a roupa e os brincos pendurados onde melhor me convir. Aqui sou eu.

 

Dou tão pouco valor ao aqui, ao ser eu. Afinal aqui, é o meu mundo, a minha miséria, a minha felicidade e salvação. Aqui tenho-me e sou. Aqui prendo-me e liberto-me. Sonho e fantasio e faço da realidade o momento. Aqui morro e ressuscito, sou polícia e ladrão, saúde e doença, encarno e reencarno, dou e recebo, sou sano e insano. Aqui sou, apenas. Tenho esta rua, nesta cidade, neste país, este momento. Este momento onde a ultima onde escarrapachada na praia foi a mais bela, e, onde a mais bonita ainda está para se desgarrar no abraço que espero saudoso.

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