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Cardilium

Cardilium

A tua voz

Perturba-me já a paz adquirida sem o veneno salgado e avinagrado do teu ser, ontem tanto como hoje, durmo o sono leve do pesadelo amontoado. Leva-me mar dobrado pelo sufoco das noites acordadas. Esta sede de me ter mais que morto carregado. Alma que me entusiasma e traz de um poço sem fundo tão profundo raiado de luz.

 

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas às urgentes
Perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer enquanto
O nosso amor durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...

Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada...

Miguel Torga

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