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Cardilium

Cardilium

Esvaziar-me de presença

Quero através destas palavras esvaziar-me de toda esta dor do passado.

Esvaziar-me das recordações. Do cheiro. Da ausência. Da memória.

Da vez que nos encontrámos e fomos estranhos.

Onde ficou a nossa intimidade? Onde abarcou a nossa história?

Em que porto? 

 

A quem nunca foi desordem

O tempo torna-se cada vez mais incolor,

a estrada tem cancelas intransponíveis e eu já não sei o caminho,

já não sei onde habitas.

 

a vertente do sul ao sonho enviesou,

já não posso esperar pessoas,

espero por mensagens,

o frio por aviso,

a chuva por alerta,

e a tempestade planeada.

 

Chamam caos à planificação,

e acredita nisso,

- quem nunca foi desordem -

Mulheres a 8 de Março mais todos os dias do ano

Não se dão flores a 8 de Março que não se dêem, noutras datas,

é igual para os abraços, beijos, outras atenções e ternuras de data assinalada,

não se proclamam direitos adquiridos à nascença na data de cada uma,

não é uma questão de género, não é uma questão sequer.

Deixo-te hoje mulher, o que todos os dias te deixo. 

 

António Lobo Antunes

Foi companhia, abertura de janelas mentais, viagem, confrontação, amor, gentileza, guerra, paz, cartas das que devemos escrever sem medo.

Foi sem sítio, sem favores, com dignidade, corredor infindavel de ajuste à humanidade, solidão de companhia, solidão de ausência, paciência à impaciência, um arquipélago de insonia no cu de judas.

Obrigado, António.

Prestianni - viva todas as cores !

Um jogador de vermelho, evoca a cor do outro que veste de branco. O negro reclama igualdade, os entendidos em raças, em danças e ofensas e em: “o meu clube não, que até tem gente da mesma cor numa estátua em frente ao campo de jogo”.

Todos lançam dissimuladas formas de ajuste, entendimento, aceitação, de um tema que se não fosse tema, não daria azo a dois minutos de conversa. Na verdade, é um tema.

O racismo não é sobre a aceitação de cor de pele do outro, é muito mais sobre o ascendente de superioridade que uns julgam ter sobre outros humanos feitos da mesma massa, quiçá abençoados por deuses diferentes, mas iguais.

É difícil e fácil na mesma medida, entender e aceitar a igualdade.

Começa entre mim e o outro, e alarga-se em círculos, até que a cadeia entre em falência, quase sempre por interesses patrimoniais.

A história é a história, mas na verdade é presente, e a nossa história é carregada de quebras de círculos e açambarcamentos patrimoniais, daí tantos entendidos sobre cores.

Vivam todas as cores!

Como vive a humanidade insensivel à injustiça

Tinha meia dúzia de palavras de ideias a apodrecer numa gaveta. Numas gavetas. Porque é mais do que uma gaveta. Mais do que uma palavra.

Mais do que uma ideia me surgiram nos piores locais para se terem ideias, porque não existia nesses lugares, gavetas.

Ideias de angústia e felicidade.

Palavras de ritmos e músicas felizes.

Gavetas de sítios com cheiros que me abraçaram.

Palavras de morte e ressurreição.

Ideias de evidência de uma divindade que seja maior do que existir de alma fechada.

Como vive  a humanidade insensível à injustiça?

 

 

 

 

 

 

Saber pela arte de outro

Boa tarde.

Sei que não me conheces, mas eu sempre te conheci, li todas as tuas canções, as palavras breves, as semi breves, trauteei os bemois, os acordes de sétima.

Mesmo tu não sabendo quem eu sou, sei pela tua arte, quem és.

 

Quando o meu mundo ainda não era mundo

Um dia,

ainda não era mundo,

os meus olhos não eram ver,

os meus sítios eram apenas as ruas,

o meu céu era no cimo da encosta do olival,

o meu mundo ainda não era mundo,

e eu estava a ficar com pressa,

 

hoje,

sem saber nada de mundo,

só quero a vida de quando o meu mundo ainda não era mundo.