Foi companhia, abertura de janelas mentais, viagem, confrontação, amor, gentileza, guerra, paz, cartas das que devemos escrever sem medo.
Foi sem sítio, sem favores, com dignidade, corredor infindavel de ajuste à humanidade, solidão de companhia, solidão de ausência, paciência à impaciência, um arquipélago de insonia no cu de judas.
Um jogador de vermelho, evoca a cor do outro que veste de branco. O negro reclama igualdade, os entendidos em raças, em danças e ofensas e em: “o meu clube não, que até tem gente da mesma cor numa estátua em frente ao campo de jogo”.
Todos lançam dissimuladas formas de ajuste, entendimento, aceitação, de um tema que se não fosse tema, não daria azo a dois minutos de conversa. Na verdade, é um tema.
O racismo não é sobre a aceitação de cor de pele do outro, é muito mais sobre o ascendente de superioridade que uns julgam ter sobre outros humanos feitos da mesma massa, quiçá abençoados por deuses diferentes, mas iguais.
É difícil e fácil na mesma medida, entender e aceitar a igualdade.
Começa entre mim e o outro, e alarga-se em círculos, até que a cadeia entre em falência, quase sempre por interesses patrimoniais.
A história é a história, mas na verdade é presente, e a nossa história é carregada de quebras de círculos e açambarcamentos patrimoniais, daí tantos entendidos sobre cores.
Sei que não me conheces, mas eu sempre te conheci, li todas as tuas canções, as palavras breves, as semi breves, trauteei os bemois, os acordes de sétima.
Mesmo tu não sabendo quem eu sou, sei pela tua arte, quem és.