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Cardilium

Cardilium

pelo andar

Assim que te vi, pelo andar,

percebi que os teus olhos carregavam esperança,

que é o que me ofereces em troca de um momento teu.

 

- A troca de amor por uma madrugada de palavras partilhadas -

 

Espero-te

Espero sempre que seja a tua voz como espero sempre que seja o mar,

nesta demora aguardo a tua voz que cala a minha.

 

Espero-te mesmo sentindo que a espera é demorada,

enquanto me demoro nesta saudade, presença desta espera.

Já viste?

Já viste?

Dantes os domingos eram insatisfeitos e as noites repetidas, hoje, satisfazemos as tardes como quando éramos meninos e nos obrigavam a ser tardes de domingo.

Mansamente, estrela, mansamente!

Mansamente,

o desejo de que a ilha tivesse invadida apoderou-se de mim,

ver-te,

já era alegria no meu peito,

um dia desafiei-te a “desdançar”,

acedeste embelezada por teus lábios de sorriso,

mais tarde,

o teu nome ficou por metade segredado à outra metade,

agora,

as mãos já não são somente mãos dadas,

o peito,

já não é apenas peito abraçado,

o desejo é:

- que mansamente as encantadas madrugadas habitadas de palavras e vida partilhada, sejamos nós -

 

um dia,

dissemos sim como a moça mais linda do bairro operário aconteceu no poema que cantámos dedilhado,

agora,

sobrevivemos à saudade guardando o tempo num abraço e caminho velado.

 

Mansamente, estrela, mansamente!

Domingo

Sinto-te,

em cada palavra com que me inventas de mim mesmo,

em cada poema desenhado que perfumas como rosas de maio,

em cada sorriso revolto de um mar de vontade.

 

Sinto-te,

em cada desabafo com que me desassossegas e acalmas,

em cada sonho que cuido,

em cada compasso desordenado do meu coração.

 

Sinto-te,

Na melodia incandescente de uma valsa em ré menor,

em cada descoberta que me arrepia ao pensar-te.

 

Sinto-te,

em cada pedaço de saudade que me toca,

em todas as recordações cravadas do meu peito no teu,

de todas as vezes que as minhas mãos inquietas se deram às tuas.