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cardilium

cardilium

obra prima ou meia irmã


Rogo pelo fim do tédio das cabeças "descondizentes" com os sorrisos que me massacram o corpo.

 

Já nem um sorriso esboço quando, cai do beirado, uma gota de orvalho pela manhã fria e deserta. Deserto é sempre os dias em que me querem dizer o que não quero ouvir, e muito mais do que ouvir, saber ou querer sequer saber.

 

Não me interessa o tédio da vida alheia. A minha basta-me. Sobra-me até. De miséria chega-me bem. Odeio quem não gosta de ser só, e inclui quem à mão se presenteie.

 

Rogo pelo fim, mais do que pelo principio. Qualquer tela depois de pintada, não será mais virgem, no entanto, pode-se “revirgindar” por uma obra mais prima ou meia irmã.

Viver sem máscaras

Viver sem máscaras com uma única máscara de viver sem máscaras.

 

Viver sem máscaras é renegar o direito de sentir o que não é suposto sentir, e não há nada supostamente que não se deva sentir. 

 

Não há sentir errado e fazer certo, a escolha de fazer certo a sentir errado é:

- o convite à máscara única de viver sem máscaras. 

 

Há livros desnecessários de ler.

 

Como tudo na vida, a oportunidade faz o ladrão, o engenho, a ilusão, etc.

 

A egoíca necessidade - faz de tudo -

 

Praça e o lago

A noite esteve adocicada no seu cheiro, iluminada de olhos e pessoas que por ali estavam, sem que eu as tenha visto.

 

 

Gosto de não reparar no que que me rodeia. É raro. 

A noite distraída gastou o tempo, sem que eu tenha sentido o tempo para além de nós.

 

O castelo e o rio, a praça e o rossio, juntaram o mundo numa noite sentida pela distracção da paz. 

 

Eles

" ... Vou explicar te uma coisa.

Quem escreve, escreve sobre o que observa, o que ficciona, o que cria e às vezes sobre o que sente.

Amontoa palavras e purga-se. Nem sempre quem escreve é um pobre coitado. Quem o faz, faz companhia a ele próprio e purga-se na impossibilidade de se sentir acompanhado.

Geralmente são pessoas que têm desinteresse em conversas enfastiadas e desinteressantes e, a vida dos outros, nada lhes interessa. 

Alguns têm uma vida horrivelmente normal das 8 às 17h ... e, são também "normais" quando precisam de um salário. Chegam a desempenhar bem as suas funções...

São pessoas de amor, em desamor continuado e escolhido.

Para que conste ...."

Tarde de tarde que é

sem que o mar tenha ordenado, o sal cristalizou nas lágrimas que voam dos meus olhos, partida sem regresso ou oposição, corpo incandescente e incomparável, à medida desassossegada que sufoca a minha alma. 

 

Todas as tardes já são tarde para voltar. 

atordoado

atordoado pela visão com que a minha janela me brinda,

um dia - nuvens carregadas de sol -

outros - o sol cheio de chuva -

outros - o vento cheio de desejo –

 

eu,

de vontade repleta de anseio fico imóvel a ver sangrar as feridas com que me acometo,

oiço lá fora as mulheres falarem,

reforçando o discurso negativo,

surgido da noite para o dia,

da vontade comprometida,

das palavras não apalavradas.

manso e calmo

“… recordo os pedaços de mar embriagados de nós,

nenhum dia mesmo manso o mar esteve calmo,

nós pegávamos-lhe a brava dança da areia que os nossos corpos produziam,

pegávamos-lhes os nossos sonhos,

e mesmo calmo,

não houve nenhum dia em que o mar estivesse manso…”