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cardilium

cardilium

A melancolia

“… A melancolia?

 

Essa triste alegria que me consola quando caminho entre os troncos grossos das árvores sobreviventes a todas estas noites de agonia.

 

Essa tristeza cálida e pura, que não me fere mais do que cada amanhecer que não desejo que seja novamente dia, mais um dia, outro dia.  

 

Toda essa gente que arranja nomes, questiona o desconhecimento, inventa soluções, adjectivos, teses psicomaníacas e ignorantes, somente pela necessidade ou desejo de uma proximidade que nunca poderá ser presença, essa gente que somatiza e acusa as palavras com que adornas o que sentes.

 

Esse escritor que se embriaga e aliena com essa sensibilidade maior do que o sentimento, que não se importa que não haja quem corte o vento e lhe leve o ar fresco da demanda que deseja.  

 

Que não se importa que não haja quem o veja.

 

Que se sustenta e compõe, com o que vê e sente.

 

A melancolia, essa triste alegria de alegoria permanente, perfilhada na verdade do pseudónimo abençoado, que me tem salvo todos estes anos, do bairro que já não existe …”

Vales de mar

" ..  Expatriada emocional foi a apátrida nacionalidade confiscada em menino.

 

Sem albergue que a liberdade tenha aperfilhado, mantem-se a ditadora expectativa abraçada ao pecado. 

 

A mãe ficou sem filho e o filho órfão de mãe, enquanto a vida se desfaz em dias irrecuperáveis, e certifica que em nome de deus se peca mais, do que em sacrilégio assumido se mata ou fere de intenções.

 

Incompreensível esta forma inadequada e castrada de amor. 

 

Ignorância emocional está pátria de nacionalidade adquirida.

 

Longe da terra de onde vim. Perto da terra de onde sou. Entre vales e mar de mares..." 

A mortalidade anônima da poesia

A mortalidade anônima da poesia.

 

 

Nao interessa quem disse ou mandou escrever tantas palavras embaladas pela música que cada um de nós lhes confere. 

 

Interessa o que cada palavra não diz.

O que cada sílaba desdiz.

O que cada fragmento reconstrói.

O que cada lágrima ri.

O que cada momento imortaliza  .........

 

- na mortalidade anônima da poesia - 

 

as cidades entardecidas pela horas

há cidades que sem nunca nos terem declamado um poema nos mergulham dentro delas,

e todas as suas praças, recantos, cheiros e flores são como,

os canteiros, os aromas, as esquinas, e as ruas da nossa terra renegada,

 

sim,

estou a falar de flores e de mar,

de aromas e de beijos, de desejo e recordação.

Excerto de palavras por ver o sol um dia 776

Cai um adquirido conceito acerca da natureza humana.

Caem todas as teorias defensivas à felicidade.

Caem anos de pensamentos.Décadas de observação. Meses de experimentação.

Caem erros e acertos. 

Cai o passado todo em derrocada. 

 

Depois, o amor invade e toma conta de tudo.

Desaparece como que por magia o homem que conhecemos, e instala-se um outro agradavelmente desconhecido, que passa a crer no que descria.

A fazer o que não fazia.

A falar do que não acreditava.

É a invasão do que certifica a humanidade.

A paz e a assumpção de: - "querer mais do que bem querer" ...

 

O val de mar em transmutação após todos os fogos terem destruído a sua infância. 

domingo e o val de mar

 

"... Sabes Afinal os domingos são domingos. Entendo agora o prazer de um domingo no mundo. Entendo o prazer de um domingo daqueles que eu não gostava e queria aniquilar rapidamente, para que a semana começasse e não sentisse mais aquela coisa de o domingo ser um dia aborrecido e sem sabor.

 

Afinal os domingos têm sabor e andam de mãos dadas em passeio, têm gargalhadas acometidas de abraço em cada olhar e, são felizes como os sábados ou terças-feiras. Este domingo foi a personalização da desconstrução que eu julgava serem os domingos.

 

Nem imaginas o que me tens feito sentir. Devolves-me a humanidade sem saberes a importância que isso tem em mim. Afinal quero ser “careta”, e viver na simplicidade de passear de mão dada contigo, sem me sentir desajustado. Fazes parar-me o mundo.

 

Obrigado.

 

Este val de mar é nosso. Entendes-me? e assim voltou ao bairro sombrio e frio que nao tem domingos ..."

escassas vezes

amar por tanto que a vida fosse um delírio, sem dias, horas, semanas e tempo,

amasse tanto que o amor se esgotasse como fonte seca de nascente,

amar sem juízo e, que outra preocupação não houvesse, se não dançar tardes inteiras, e nas noites,

fizesse amor com o sorriso louco isento de realidade,

outra forma não existe de amar,

talvez por isso, ame escassas vezes com amor.

só o futuro foi a vida

Não sei por onde se perderam os meninos da minha infância,

não sei eu mesmo do meu menino,

nem da pequena bailarina do bairro que se juntava ao meu.

 

não sei das tardes que abraçavam a menor luz da noite,

nem do cheiro dos domingos acordados cedo,

das noitadas já perfumadas de futuro.

 

Foi no futuro que perdi a infância que não se previa só.

Não se adivinhava tão só.  

desprendendo

Queria viver assim como o outono,

deixando cair as folhas para que as pisem,

e repisem,

como os sonhos que teimo em prender