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cardilium

cardilium

Ode ao equilibriozinho

Gosto de pessoas desequilibradas, crentes e cientes delas próprias. Sou igual.

Já o contrário fere-me.

Pessoas desequilibradas apregoando moralismos caducos, sempre com as mãos cheias de pedras para arremessar e equilíbrios esvaziados de ego e (des) conhecimento.

A liberdade fanática da escolha do pensamento não construído e próprio por permuta com as correntes equilibradas do pensamento, são a confusão entre a liberdade de escolha e a escolha da liberdade .

O chamado pensamento encarneirado ou invés do pensamento divergente.

Um, oferece pertença quase "prostitucional".

O outro, solidão e a verdade pouco "numérica" da amizade. 

Bendita seja, senhora do desequilíbrio; da ilusão e da revelação.

 

Abril com cada vez menos Abril dentro

Mais um Abril com cada vez menos Abril dentro,

menos gente,

menos sonho,

menos poesia,

menos canção,

menos sentir,

menos emoção.

 

Mais um Abril com cada vez menos Abril dentro,

onde parecendo que não,

de desilusão adoeço.

 

Podes voltar Abril sem medo,

que Maio continua a florescer, 

nalguns poucos resistentes de nós.

Beijo Sandra

No nosso último abraço senti que seria o último. Não estou triste. Sei que não eras pessoa para viver sem ser por inteiro.

Foi cedo ? Sim foi.

Injusto?  Sim foi.

Dá-me raiva ? Sim dá. 

Estas questões praticamente filosóficas não reajustam o que preciso ajustar.

Guardo-te em uníssona sintonia junto ao mar, a fumar na minha varanda, na planície onde passeámos, nas viagens que fizemos, nas risadas que promovemos, nas vezes que nos zangámos (e ficavas tão gira zangada), nas vezes que nos unimos.

Partiste. Estavámos unidos. Juntos. Fiquei contigo. Levar-te-ei  quando for, como me levaste a mim

Beijo sandra 

 

Ruas

Disforme. Vulnerável. Condicional. Musical. Elegante. Raciocínio. Desejo. Saudade. Medo. Fuga. Cheiro. Flor. Mãe. Mar. Madrugada. Passado. Sedução. Tesão. Lua. Noite. Planície. Rio. Foz. Perfume. 

 Na rua onde cresci levar-te-ei a cada beco de mim... 

Ofellia

Não poderei nunca ser nada ou o tudo que me ordenas que seja; mesmo que o peças de mansinho e pareça não ser uma ordem.

Sabes, essa desgraça para mim não o é, nunca o foi, nunca o será. Para ter pena de ti, teria que a ter por mim igualmente; que é essa a disfarçada ordem que me pedes.

Não dá. Não quero. Juízo gaiata, Saudades de ti pessoana Ofélia.

Mendicidade

Não suporto a mendicidade humana, não a afecta aos mendigos, essa é genuína e necessária pelos mais diferentes factores humanos e sociais, escrevo, falo,  da mendicidade manipuladora e narcicista emocional, tentativa descontinuada e disfarçada da culpa que não existe.

Detesto. 

Adiar

suave,

sem que me despertasses do cansaço com que me adormeceste, 

senti o teu cheiro a cantarolar nos teus lábios,

os meus,

ensonados,

cantaram o poema que embalava a tua boca,

dizia assim:

- adiar a felicidade é matar a vida que não repete o que se adia -

 

 

 

Fuso horário

Deixa todas as tentadas palavras que te disse assim como estão:

- sossegadas,

- não percepcionadas.

O mundo em alguns mundos tem fuso horário diferente, gira ao contrário e as flores têm perfume díspare.