Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
Jasmim em cachos de olhos negros

O céu perfumado de jasmim larga cachos de perfumes, uns mais intensos, outros adocicados, outros distintos e agros, suaves e intensos, imaculados e revoltosos, inocentes. A eternidade dura um momento. Os momentos eternos são aqueles que não se destronam pela substituição dentro de mim. Nunca ninguém partiu, depois de em mim ter existido. Sobranceiro, recolho-me refugiado no meu sentir uno, nos meus sentires plurais. Tenho saudades do mar, do mar de abundância, mexido, de cheiro vigoroso, robusto, encantado, entardecido pelo pôr-do-sol, desperto pelo nascer da manhã. O mar que esconde o sol de nevoeiro, e a maresia encoberta no seu regaço cinzento. O mar dos pescadores e das varinas. O mar das gaivotas salgadas. O mar de alma desprendida a perder de vista. As saudades não se matam, as saudades castram-se, semeiam-se, muito mais do que se colhem. A saudade é um famigerado substantivo qualificativo de um sentimento desqualificado, tóxico, de um veneno sem profilaxia apropriada ou prática de resultado, é anti profiláctico, sem virgindade resistente e conspurcadamente poluente. O sótão da minha infância tinha vasos com flores. Uma camilha redonda. Amigos. Uma escada de madeira. Os primeiros e inocentes pecados. Beijos. Música, musicas, livros, uma viola, presença e solidão. Um mundo simples visto com os olhos de hoje, um mundo secreto ajustando aos olhos da época. Este meu sítio, criado e cuidado, remete-me à fantasia real e relativizada do tempo, e, torna-se hoje sim, uma fantasia e vontade impossível de retrocesso, sem abrir mão do conhecimento. Impraticável e desconexa esta inexequível firmeza da saudade, de um mar e de um céu, perfumado de jasmim … em cachos de olhos negros.



publicado por cardilium às 16:19
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Poetas ou naufragos?

Resumindo: um poeta não escreve. Um poeta sente necessidade de deixar sair as suas aflições feitas palavra, ser fluído como o líbido sexual, representado por algo da força e significado de um orgasmo que, o arrebata ou inquieta. Descomandado por um sonho não crente ou entendível, pela realidade, pela paixão, por nada e por tudo, pelo desamor, talvez mais do que o amor, o poeta é uma mistura de pólenes raros e comuns.

 

O poeta, não tem posição para dormir enquanto não naufragar o seu incómodo no seu porto do mundo. Os versos de um poeta são um momento. São o raio antes do trovão, são segundos, deslocação, remoção. O trovão é, o efeito das suas eloquentes e imperceptíveis interpretações dele mesmo, no seu id, ego e alter-ego espelhado, abrangente, descoincidente às vorazes sanguessugas do entendimento linear como se quer, mas disruptivo como é.

 

Um poeta não é a poesia. A poesia são os poetas, todos.

 

Um poeta é quase sempre visto como um lírico sonhador que vive num mundo irreal?

 

Mera fantasia esta, de quem quer entender a poesia antes do poeta. Um poeta jamais saberá se o é, foi ou será, no máximo, o estado mais próximo dessa certeza é a dúvida. O entendimento de si próprio como ser isolado do sentir, é inexistente, e, se se torna altruísta de fazer bem, é um mero e soturno acaso.

 

O sonho pode-se materializar pela força do desejo?

 

Sim, não, talvez, concerteza, algures, provavelmente, quiçá. A força de acreditar não é uníssona ou bilateral. A força do trabalho, sim. A força do desejo, não. O tango é seduzido pela nota seguinte à sétima do acorde, pelo olhar, é encantado pela diminuta da escala, pela voluptuosidade da divisão do silêncio é nota maior, pelo espaço, é encantamento é menor.

 

As mãos dadas são adúlteras e desentendidas, depois de semanas dadas são doadas. É a dança do conjunto dos elementos que nos forja: ar, fogo, terra, agua.

 

Ar, pela descrença assimétrica do céu. Fogo, pelo metafórico inferno e pecado praticado na vida. Terra, no desenhado das raízes e crepúsculos vigentes, por um conto de adamastor convertido em boa esperança, depois de dobrado o bojador. Agua, pela imensidão dos terços dela, representada no planeta e metabolismo humano.

 

Ser poeta não é ser sonho. Ser sonho sim, é ser poeta. A poesia é como a matemática, o quadrado é sempre a raiz elevada dela própria. Tudo o que alcançámos antes foi sonhado pragmaticamente. O milagre do alcance do sonho está no conseguimento do que somos, sem sonharmos na metamorfose da quimera. A magia está no alcance da superação. Está na ressurreição. Está na desambição. Está no agradecimento.



publicado por cardilium às 16:06
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Terça-feira, 8 de Maio de 2012
Escrevendo

Escrever é lembrar para esquecer,

É sentir para purgar,

É rezar para perdoar,

É companhia ao isolamento,

É entendimento para o desassossego,

É paz para a guerra,

Ondas calmas e vento,

Mar tempestades e marés.

Escrever é,

Amar pelo sonho,

É sonhar que se ama,

É vida para a morte e sorte para o azar,

É sol para a lua,

Norte para o sul,

Hemisfério para o mundo,

Sal para o tempero,

Astrolábio, dissertação, loucura agreste e rima.

Frases são: amontoados de olhos do mundo,

Molhos de gente abraçada,

Braçadas de beijos repletos de oceanos.

Os pássaros do sublime céu,

Dançam melodiosos chilreares, abençoados pelas árvores,verdes e entroncadas de chão,

Escrever é nada e tudo,

É tao pouco e tanto,

Catedral e capela,

Esplendorosos relvados … e areal,

Montanhas,

Lagos e florestas,

 

Descrito assim … se escreveu.



publicado por cardilium às 18:20
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Domingo, 6 de Maio de 2012
A chave

Como se pode ter um problema de ego e auto estima em simultâneo? O ego como um problema passa pela necessidade de ver suprida de uma forma desajustada e nunca suficiente, as suas necessidades irreais. Auto-estima pode ser uma deficiente necessidade, como que meritória, depois da vitimização de necessidades reais, isto, num contexto de erro por decisão merecida. Uma ilusão fantasiosa e falta de filtro cognitivo projecta-nos para um eu inexistente, mas necessário e narcisista. Os egos são a razão de muito sofrimento, são lacunas do ego por sublimar. São gritos silenciosos por escutar. Sinais visíveis por vislumbrar. Sítios inventados. Realidades aumentadas. Vida diminuída. Depositar nos outros a culpa, aquietamentos, jogos mentais, pressão sanguínea em aceleração ou batimento cardíaco em descontrolo, é fraudulento. Antever no fundo é prever. Idealismo no sentido idílico da antecipação, calmaria e resolução. Não mudo coisa nenhuma. Não mudo o mundo, nem ninguém, mas também não me prostituo, nem fisicamente, nem emocionalmente, nem intelectualmente. Sou um homem atento. Algumas vezes não o fui. Já construí castelos que não arquitectei. Já arquitectei sonhos tricotados em madrugadas de acordes defronte do Tejo. No fundo, sou um ser normalíssimo. Sou azul de sonho, margem alargada, canavial, bolina. Um furação cristalino, opaco, de pensamentos impenetráveis, perspicaz e arriscado. Diz-me quem me vê, e, aí residem os meus momentos. Em quem me vê…

 

Guardas a chave,

Chave pesada,

Corroída pelas marés da vida.,

Inconscientemente,

Encontras a fechadura,

A que pertence.

Abres um cofre magico,

Secreto,

Onde guardo gargalhadas já esquecidas...

Obrigado… Adoro-te. (FN)



publicado por cardilium às 23:31
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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
Entre o sorriso e a lágrima

Este soberbo espaço entre o sorriso e a lágrima não é néscio, não é ridículo ou obtuso. Este soberbo espaço é, vida viva. Já fui muito mais velho do que sou hoje. O tempo não é infalivelmente idade, não é fatalmente velhice, desastrosamente menopausa, ou inevitavelmente andropausa. Isso é apenas o que deriva num desgovernado e mentiroso delírio, na cabeça de quem se recusa a existir no tempo, como vida. Percepciono fugazes entradas de existência em mim. Num mesmo dia ocorrem-me nas veias, rios imensos e vorazes, correntes vigorosas, e vontades possantes. Eu? Eu deixo-me ir. Não adianta o desgaste da resistência que é perder-me a mim mesmo. Causas são causas, não passam de causas, eu sou muito mais, ideais. Solto-me sedento do que acredito. Aceito uma evadida fé que troquei por perseverança, trabalho, descontextualização e verdade. Não me traio, sou-me fiel, constante e coerente. Não represento ou falo de saudades por agradabilidade, não acho que possa ter o que não me pertence, ou ser de quem não pertenço. Pertenço-me antes de pertencer. Gosto de verbos. Conjungo o alento em dias e desenho pedaços harmoniosos de ser, que às vezes sou, outras vezes não. O resultado de ser não me pertence, pertencem-me apenas sonhos enfatizados e queridos, de muito querer. Na verdade já fui mais antigo com menos idade, e, dentro de mim, informal e a quem escolho, exponho de mim a música que componho e os poemas que escrevo, como se a vida sempre me tivesse sido progenitora.

 

Este soberbo espaço entre o sorriso e a lágrima não é néscio, não é ridículo ou obtuso.



publicado por cardilium às 20:23
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
Ligaste! Disseste!

Quando se desperta o orvalho nos teus olhos,

Amanhecem nas minhas fantasias,

Alvoradas de passado,

O que sei certo?

É o presente,

Não conheço o futuro em detalhado.

 

Quando em debandada se augura o presente,

Vergam-se instintos e quimeras,

Loucuras, desconstruções,

Outras nem tanto, invenções,

Fico pobre de tanta riqueza,

E de tanta riqueza apodreço.

 

Ligaste! Disseste!

Ai, hoje estive deprimido e tal,

Deprimido?

Como estarão na terra seca,

As crianças desnutridas, sem vacinas,

Pinhais afiados de gérmenes,

Nos rostos gemidos por sorrisos,

Para as lagrimas lamber.

Deprimido?

Palhaço, falacioso intelectual, miserável, moribundo emocional.

Deprimido? Ataques de pânico? Solidão?

Ligaste egoísmo. Está dito!



publicado por cardilium às 02:50
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Sábado, 28 de Abril de 2012
Os poetas que sobraram

Os habitantes desta cidade murmuram sonhos. Murmuram anseios para que os filhos regressem vivos dessa loucura fascista, de se achar que se colonizam povos, para lhes devolver o que quer que seja. Os poetas desta cidade arriscaram a cantar versos sobre a liberdade, fraternidade e igualdade. Os analfabetos desta cidade, um dia, aprenderam a ler, chamaram-lhe aulas para adultos, nocturnas. As prisões desta cidade abriram-se num sem sentido de entendimento, acerca da estranheza que foi a liberdade, ou da desigualdade de todos terem o pão da igualdade. As portas desta cidade abriram-se aos pares e o refrão da canção cantava cuidadosamente, “que a liberdade está a passar por aqui”, “num depois do adeus”, num “adeus tristeza até depois”, e num “agora o povo unido jamais será vencido”. Os anos foram relativizando as conquistas de Abril a meio caminho de Maio. Nesta semana de intervalo, entre uma conquista e o direito aos trabalhadores de se associarem, reunirem e evocarem a liberdade, já nada vale, tudo apodrece nas mãos de uma “coisa” a que chamam “mercados financeiros” e dos seus lacaios ordeiros e vendidos. Já nada ou pouco importa, já não se sabe, lembra, dignifica, ou preserva a luta de tantos e tantos homens. Tornou-se isso num idealismo faccioso e falacioso, interessa passar isso, e a “coisa” tem passado. A liberdade precisa de voltar a “passar por aqui”, por esta surda e cega ignorância, por esta desfaçatez conjugada de embrutecimento de um povo. Este Abril esvaziou-se e o Maio antigo esmoreceu subjugado. Ainda resistem uns apontados e “fora de moda”, que recordam Abril e a sua poesia. Viva o 25 Abril e o 1º de Maio. Não é uma festa “dos comunistas”, como convém dizer, para catalogar, excluir ou julgar. É uma dádiva de respeito a que me vergo e relembro, vivente e pensante, emocionalmente presente como me quero na minha existência sensorial. Do sítio de onde em vim, trouxeram-me os ventos e as mares. De diferenças me igualo. Beijo-te Liberdade. Abraço poder reunir-me sem me esperar uma prisão, saúda-me poder ir ao teatro e haver livros para ler, música para ouvir e referências para me inspirar. Não podendo mudar, posso transmitir. Transmiti à minha descendência a importância vital de que tudo existe, porque tudo mudou, e acrescentei: não te esqueças que por nós, por mim, por ti, estiveram presos por amar, muitos dos nossos poetas que nos devolveram à liberdade … e nós somos, parte dos poetas que sobraram.



publicado por cardilium às 17:28
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
O libertino

Ele há coisas! E assim me deslumbro do poder espiritual que diariamente me é devolvido e enviado. Esta coisa do espiritual, em mim, vale o que vale. Vale coisa nenhuma, contudo, quando me ponho a somar as peças, vale em mim uma vida, a minha vida. Os sinais, no fundo são a confirmação da minha intuição. Fico feliz pela forma como aprendi a sentir. A minha intuição é a minha espiritualidade. Prevejo hipocrisia em discursos fingidos e perfeitos, desconfio sempre da perfeição, gera confusão aos meus defeitos. Esta coisa de mostrar para esconder, adivinho-as nas contradições, atento e pensante, detecto-as. Prevejo marés de afectos fora de época. Antecipo inícios e finais, traições e desencantos, esquizofrenias teatrais. De onde eu venho, ainda a tempestade por lá existe, não se apagou. Ainda por lá baloiça a maldade e a humilhação, e os mortos só saem nus. Tudo se pode trocar na gurita verde, do bairro esculpido a corpos magros e olhares desencantados e negros. Por lá, não existe paixão. De onde eu vim deu-me a vida a escola, a faculdade o ensinamento e os amigos a presença. Bendita intuição, minha última unção do dia em que me devolvi a esta sanidade, e o deserto não me fez recuar. Hoje brilho entre as lagrimas e sorrisos, como o libertino que se passeou por Braga, a idolátrica, o seu esplendor, que afirmava acertadamente amanhã morrerás. Nada mais verdade, num amanhã qualquer morrerás, morreremos apodrecidos de uma vida não vivida, ou não.

 

“… Acordo aos estremeções, aflito, com uma consciência muito nítida do encontro, e começo por fazer figas debaixo da roupa ao Intruso, mas depois, cheio duma superstição infantil (que me ficou da criança que fui, entenda-se), faço o sinal-da-cruz. E para não tirar as mãos debaixo do quente das mantas, engrolo gestos e palavras mesmo sobre o peito, à matroca, como um aprendiz de catequese faria. Sossego mais. Começo a pensar como morrerei. Desastre? colapso? ou loucura súbita e ogo suicida? Adormeço nisto. Ao acordar conto ao Forte o meu sonho, para o esconjurar. Ou talvez para criar uma testemunha do meu presságio nocturno, se sair certo. Figas! Cruzes! Malandro! Canhoto! E logo eu, que gosto tanto da Vida! A caminheta dos livros segue para Braga; primeira paragem, em Esporães ou Esporões, outra terra a que perdi o nome e depois Somar. Eis a grande revelação da jornada: Deolinda da Costa Rodrigues, 14 anos, no 3º ano do curso comercial, residente no lugar de Assento. Fico varado! Mas é a Lolita tal-e-qual do Nabokov, é a Super-Gêninha jamais esquecida. A Super-Super-Gêninha, que talvez me vá fazer esquecer de vez a outra. Baixa, encorpada, ancas cheias como se quer, barriga abaulada, leveza nos modos, gravidade e força de mulher no corpo, uma suave expectativa de adolescente. Que beleza! Que maravilha! Morena, olhos atentos, cabelo entrançado (seria? ou rabo-de-cavalo?). Adivinho e aspiro o perfume do seu sexo; leio-lhe nos olhos os gritos que ela daria de prazer se a possuísse agora, nesta luta de vida ou de morte contra o Mafarrico, a última, a grande vitória do Libertino. O espichar de corpo, o estrebuche no orgasmo, que beleza, que maravilha… “                                                                                                                                                                                                                                          (1970, Pacheco, Luiz)

 

 



publicado por cardilium às 19:07
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Domingo, 22 de Abril de 2012
Quem não muda decompõe-se

Quem não muda decompõe-se. Decompus-me antes de mudar. Se não se o é antes, ser-se o há, depois. A capacidade de relativizar opiniões faz parte do meu crescimento. Há idade para errar, e erros ajustados à idade. Há infantilidade nos erros tardios e maturidade nos erros acertados e consertados. O exemplo não é feito por palavras, é feito por acções, essa riqueza imensurável. Assim errado, trouxe gravado em mim o teu sal perfumado, reparado num acto contínuo, nesse pedaço de mar azulado, inconstante, pérfido e desalinhado. O Bugio foi a testemunha estremunhada. A espuma dos nossos beijos, alinhados com as estrelas cadentes que vimos cair, dirigidas a Tróia, conduziu-nos para sul. Primeiro Marrocos, depois Tarifa, por fim, Melides esperou nos. Não existem mais viagens depois dessa. Chorosa saudade de nós, ali, perfumados de pinhal e de dedos soldados, acreditando na eternidade. O céu está na mesma, o assobiar da noite iguala-se a antigamente. Não me decompus mais, mudei, mudei-me. Enfatizo agora muito do querer de outrora. Represento papéis que me sustentam. Sou filosofia, pendência e aroma. O Alentejo é mais Alentejo junto ao mar, decompõe-se quando dele se afasta, tal qual a humanidade. Gosto do castanho enrugado da terra, do céu estrelado, e do mar moreno na pele daquelas gentes. Gosto dos lenços de ramagens à cabeça, das ceifeiras de Portugal. Gosto da sabedoria de quem acha, que nada sabe.É eterna,impaciente e necessária, a minha solidão.



publicado por cardilium às 23:46
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
Paz em ver-te

Viva, então tudo bem?

 

Paz em ver-te, adeus.

 

Está tudo?

 

Bom dia, tarde ou noite, é assim que nos saudamos desconhecidos, sem interesse, sem reparar nas palavras grunhidas, ou nos acenos flamejados, desguarnecidos de conteúdo. Descaminho é o rumo que traçamos. Escrevo para verbalizar. As palavras ditas altas por uma voz, mesmo que una, dão vida aos meus pensamentos, ganham sentido e contexto, incorporam opinião e juízo quando as escrevo. É como se, se transformassem numa criação disruptiva, mas evolutiva em mim, e para mim. É como se fossem um analista, ou um processo terapêutico de ajustamento individual. É como se ganhassem corpo e diminuta vitalidade, ou uma maior validade. A intimidade por vezes estraga tudo. Há realidades que eu não quero ou preciso saber. Não se divide facilmente intimidade. A minha reclusão é a minha divisão. É o que tenho para oferecer. As minhas namoradas são o meu elo com um mundo desconhecido, um mundo que não domino. Acho desvantajosa a relação que tenho com a humanidade. Sou pai solteiro, uma figura criada e percebida antes de acontecida. Tornei-me maior e com outro sorriso ao sê-lo. Interpreto agora melhor a mensagem subliminar, intrínseca e perceptível dessa “coisa” dos afectos desintencionais. Decifro agora melhor o valor da troca da vida, pela morte. Detesto bestas que se adoram ouvir, reuniões maçadoras, representações ignorantes de gestão, conceitos antiquados e, quiçá promíscuos. A gestão não é a demonstração de resultados, a isso chama-se estatística e pode-se facilmente manipular. Gestão são as pessoas, e as pessoas são, o que todos nós somos, isso gere-se, emocionalmente. Gestão é o contrário do praticado. Hei-de me guardar do processo cognitivo, em prol daquilo que sou, processo emocional.



publicado por cardilium às 21:40
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